CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

Mitzi Gaynor, atriz de Hollywood, sugestão de Hugo Vaz para capa de livro

Papai costumava dizer que quando um jornalista errava não era erro nem burrice, era excentricidade, pois, na época, todos eram considerados mestres. Por isso admito que qualquer deslize na interpretação de fatos está o “escorrego” justificado.

Hoje as folhas, estão repletas de “escorregos”.

Fui contemporâneo do Professor Luiz Beltrão, que afirmou, certa feita, “Reconheço as deficiências da formação profissional dos jornalistas brasileiros, que se manifestam na desorientação, no baixo nível cultural e mesmo técnico do jornalismo. ”

Aproveito a deixa para “castigar”, reproduzindo as palavras do Professor José Brasileiro Vilanova: “O brasileiro nunca falou tão mal e cometeu tantos erros”. Depois das chamadas Redes Sociais é que a bosta virou boné, digo eu.

E nesse fuzuê de conceitos sobre escritores, jornalistas e apresentadores de notícias para a Televisão, aproveito para narrar besteirol sobre o tema da “burrologia jornalística”, tão em moda, como diria Hugo Vaz.

Depois que deixamos de assistir a “Vênus Platinada” passei a assistir os “jornais televisivos” das outras emissoras e nessas vou encontrar verdadeiras pérolas dos procedimentos errados.

Esta semana, u’a jovem repórter de Tv local, ao cobrir o alagamento em um dos bairros do Recife, se deu ao luxo de inventar expressões “eterofônicas”, a fim de dar mais graça às palavras, para facilmente provocar o riso dos espectadores, porém, mal informando e educando seu público.

Depois de falar que o bairro do Ibura estava “atolado de água”, informou que na principal avenida o “precioso líquido” se transformara em água fétida, esgoto puro, de mal cheiro terrível. Como se ali seria o local de depósito apenas de água mineral. Coisa não preciosa.

E disse mais, havia um buracão na calçada onde ela se encontrava trabalhando com o cinegrafista. E improvisando cena cômica saiu com esta:

– Se vocês me chamarem aí do estúdio e eu não responder será porque cai no buraco e desapareci!

Escrever e saber falar são regras básicas do jornalismo. Sempre foram. Sabemos que é muito difícil improvisar, quando se é repórter, com tempo restrito e sendo necessário prender o espectador através das palavras.

Mas, dizer que a rua estava “atolada” do “precioso líquido” é demais! Água não atola ninguém!…

O vernáculo pátrio é coisa muito séria; visto que é regido por Lei Federal. E só se tornam os verbetes oficiais quando aprovados pela Academia Brasileira de Letras; portanto, não pode ser condicionado – como disse o Professor José Lourenço de Lima – violências em sua grafia, na sintaxe, na semântica e na sua estilística. Nada disso será jamais admissível.

Estive com Hugo Vaz durante várias vezes, até de madrugada, trabalhando na Gráfica Comunicarte, do nosso amigo Olbiano Silveira, quando editávamos jornais e ali trocamos ideias sobre o assunto da falta de competência no jornalismo pernambucano. Aprendi um bocado com aquele que era também reconhecido jurista.

Sobre seus livros ele costumava dizer:

– Minhas crônicas mostram o lado desconhecido do jornalismo: o picaresco, jocoso, esdruxulo e ingênuo. Uma face que representa verdadeiro monumento à distração e à incompetência. É também uma homenagem à ignorância e ao despreparo.

Certa feita indaguei sobre uma imagem para a capa de um livro de crônicas ao que Hugo me respondeu:

– Quer vender muitos, bote na capa u’a mulher seminua. Assim como Mitzi Gaynor, por exemplo!

E assim finalizo estas minhas excentricidades jornalísticas com frase do mestre do pitoresco, Milor Fernandes, se referindo ao que chamaríamos de “dejetos jornalísticos”:

– Estão usando a língua como sempre. Mas cada vez menos como idioma.

Mas eu preferiria completar taxando esses “burrófilos distraídos” como redatores de “excentricidades jornalísticas”, como costumava afirmar o velho Arthur Lins dos Santos.

Um comentário em “EXCENTRICIDADES JORNALÍSTICAS

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