CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

Jorge Veiga, o caricaturista do samba

Quem quiser que se dane! Posso até ficar “antigo”; com o espinhaço fora de forma e a lataria danificada, mas não envelhecerei. A partir de agora eu quero é rosetar!

O poema “Deixem-me Envelhecer”, que se tem atribuído a Mário Quintana, é uma das criações de Concita Weber, maranhense, que mora atualmente na Alemanha.

Trata, a notável peça, do desejo de aceitar a velhice com naturalidade. Sobremodo porque essa fase não aparece como um raio. Vai chegando devagarinho: uma dorzinha aqui, outra ali, u’a preguinha no papo, um pé inchado, a dentadura frouxa…

No meu caso, tenho resistido. Quero ficar com meu chinelo velho, guardar meus “trecos” em lugares de sempre, contar minhas histórias quase infantis, escrever meu besteirol, assobiar músicas antigas e puxar conversas até com quem não conheço.

Em suma, ter independência para viver a vida bem ao meu gosto. Eu quero é rosetar!

Vale lembrar que o verbo rosetar representa certo brasileirismo, pois segundo o “Aurélião”, significa divertir-se, folgar e aproveitar a vida.

E o que os “antigos” mais gostam? De recordar! Assim, vale lembrar a composição de Haroldo Lobo e Mílton de Oliveira, gravada por Jorge Veiga, grande sucesso no carnaval do Rio, em 1950.

Para completar, devo informar que “Eu quero é rosetar” se tornou filme, no qual, faziam muitas trapalhadas os saudosos atores: Oscarito e Grande Otelo. Um clássico da chanchada brasileira, produzido pela Atlântida Cinematográfica Ltda.

Aliás, o gênero de comédia musical foi muito popular nas décadas de 1940 e 1950, produzidos por Watson Macedo e Carlos Manga, para a Atlântida, a produtora mais influente do cinema brasileiro, chegando a produzir 66 filmes.

E pra conferir mando para os amigos antigos um aperitivo para rosetar, ouvindo as deliciosas marchinhas cariocas:

Pois é nessa pisada em que estou engrenando a 3a. marcha, porque, a partir de junho, não me importa que a mula manque, eu só quero é rosetar.

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