DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

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Na mais serena rotina
Mansa a vida transcorria
Futuro bem programado
E um presente de alegria
Pois começava a colher
O que fiz por florescer
Tudo que plantei um dia.

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No entanto quis o destino
Modificar meu traçado
Vi cada sonho ruir
E o presente destroçado
O caos chegou de repente
Deixando o povo impotente
E o mundo inteiro abalado.

3
Do covid 19
Dessa grande Pandemia
Hoje nós somos reféns
Vivemos essa agonia
Enfrentando isolamento
Adestrando o pensamento
Pra fugir da distimia.

4
Prosseguir era preciso
Nunca fui de esmorecer
Tentei sentar a cabeça
Pensando no que fazer
A Deus pedi direção
E fui fazendo oração
Buscando me proteger.

5
O começo foi difícil,
Eu tenho que concordar.
E muitos dos meus costumes
Tive que modificar.
Sem varinha de condão
Para a modificação
Fui obrigada a lutar.

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Vesti-me de paciência
Pra viver sem liberdade
E mudei-me para o campo
Deixei de lado a cidade
Fui treinando meu olhar
Pra novo mundo abraçar
E acatar a realidade.

7
Os compromissos rompidos
Sem condições de assumir
O meu sorriso desfeito
Eu tenho que admitir
A única solução
Seria a transformação
Resolvi nisso insistir.

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Bem distante dos perigos
A roça me adaptei
E com internet em casa
Logo me conectei
Fui ligando minha antena
E mesmo de quarentena
Meu trabalho continuei.

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De cordel e artesanato
Comecei a produção
Escrevendo todo dia
Eu espanto a depressão
Por gostar de pesquisar
Vivo a me capacitar
Não me falta ocupação.

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Sei que nesse novo Tempo
O caos de fato é real
Com isso nossa presença
Em evento cultural
Acontece diferente
A gente se faz presente
Mas de modo virtual.

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A nossa literatura,
Popular e de cordel
Tal qual o camaleão
Se adapta a qualquer papel
Faz sua transformação
E nessa variação
Renasce em novo vergel.

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Cordelista com bagagem
Sempre encontrará espaço
Porque sabe entrar em cena
Nela imprimir novo traço
Com garra e disposição
Atua na inovação
Se vira sem embaraço.

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O cordel é resistência
E nunca perde a constância
Se apropria do remoto
Faz eventos a distância
Em encontros virtuais
Projetos especiais
Comprovam sua importância.

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Seja em e-book ou live
Damos bem nosso recado
Assim nós vamos ganhando
Novo costume e mercado
Escrevendo nova história
Sem perder a oratória
No mundo atualizado.

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Os convites aparecem
Pra quem quer seguir em frente
Somos voz em podcast
Atores atualmente
Que nos vídeos operando
Vamos a vida alegrando
E colorindo o presente.

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Posso dizer que o cordel
Farto, em redes sociais
Ganhou asas pra voar
Segue novos rituais
Pois na rede achou seu Norte
E cada dia mais forte
De pujança dá sinais.

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Nas páginas do facebook
Para o verso praticar
Vates de vários Estados
Juntam-se para glosar
Buscam nessa interação
Momentos de distração
Ninguém quer se acomodar

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O Brasil de Norte a Sul
Vem fazendo difusão
Da cultura popular
Do cordel que é tradição
Essa nossa atividade
Vestindo simplicidade
Envolve toda nação.

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Na corrente do cordel
E nos braços da poesia
Voamos com as palavras
Disseminando alegria
O cordel literatura
Engrossa a voz da cultura
Na oração de cada dia.

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Não está em nossas mãos
O poder para findar
Com a grande pandemia
Mas podemos minorar
Escrevendo nova história
E mudando a trajetória
Nesse nosso caminhar.

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Cada um tem sua receita
Pra tentar melhor viver
E procurei distração
Algo para me entreter
Para não cair doente
Cuide bem da sua mente
Faça o que lhe dá prazer.

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Eu me apeguei com cordel
A minha maior paixão
Cada dia um novo verso
Tenho em minha produção
Vou seguindo minha estrada
Embora modificada
Aceito a transformação.

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Nesses tempos de retiro
Digo sem medo de errar
As tais redes sociais
Vieram pra nos salvar
Nasce desses movimentos
Quase todos os eventos
Com os quais podemos contar

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Nas asas desse cordel
Eu escrevi nova história
E bem cheia de esperança
Pra viver dias de glória
A Deus rogo proteção
E peço com devoção
Luz em nossa trajetória.

1 pensou em “EU E A PANDEMIA NAS ASAS DO CORDEL

  1. Parabéns, poetisa Dalinha, pelo bonito Cordel, pertinente e verdadeiro, que retrata o contratempo que tem sido a Pandemia do COVID-19, na vida de todos nós. Passei 10 meses sem sair de casa, com medo de me contaminar, Perdi vário amigos e um primo, vitimados pelo terrível Coronavírus.
    Minha distração é ler, escrever e tocar teclado e violão. Ainda bem, que temos vida interior, e nunca ficamos ociosas. Temos sempre o que fazer… Tomara que esse tormento passe logo e que o vírus seja erradicado!!! Bjs.

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