CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

Renault 4-CV, tipo “Rabo Quente” e o JK nacional, projeto da Alfa-Romeo

Quando um motor de um carro começa a vazar compressão é necessário condicioná-lo e uma das tarefas a serem executadas por mecânicos especializados se sobressai pelo trabalho no cabeçote e o esmerilhamento das válvulas, ação relativamente complexa, que se procede somente em oficinas conhecidas como “Retíficas”.

Todos aqueles que possuíram carros importados sabem disso. Eu mesmo cheguei a possuir dois, um Renault Juvaquatre, modelo 1953, e um outro, um “fogoso” Renault 4-CV, conhecido no Brasil pela alcunha de “Rabo Quente”, por ter o motor traseiro,” a novidade do pedaço”.

Um saudoso amigo, Aníbal Rezende Gonçalves, me contou que certa feita, foi levar seu esportivo Henry Jr., a Campina Grande, para abrir o motor e verificar certa perda de potência. Dias depois, retornou, muito satisfeito porque seu carro mais parecia a Maserati de Chico Landi.

O esportivo Henry Jr., foi um automóvel compacto, de linhas ultra modernas, produzido pela Kaiser-Frazer Inc., na década de 1950, nos Estados Unidos. Aliás, falar sobre veículos é recordar seus interessantes apelidos:

O Volkswagen TL 1600 sedã, produzido entre 1968 e 1971 era conhecido como “Zé do Caixão”; já o Volkswagen, nacionalmente identificado como “Fusca” por causa das lanternas traseiras grandes e arredondadas foi, em 1979 batizado de “Fafá”, em referência a uma das maiores cantoras brasileiras, que possuía volumosos seios. O Henry Jr. recebeu a amarga alcunha de “Maria Promessa”.

Os excelentes caminhões produzidos pela Fábrica Nacional de Motores, cujo símbolo da marca era representado apenas pelas letras: F.N.M., recebeu a alcunha de “Fenemê”; o pequeno Renault 4-CV, por seu motor traseiro, ficou conhecido como “Rabo Quente”; o minúsculo Renault Dauphine, foi batizado por “Leite Glória”, porque tendo frágil carroceria, assemelhava-se à do leite em pó, cuja Propaganda salientava que seu leite se desmanchava sem bater.

O sedã FNM-JK, denominado assim em homenagem ao ex-Presidente Juscelino Kubitschek, ficou identificado apenas como JK. Um carro excelente. O melhor dos produtos brasileiros, na época. Tinha bom espaço, quatro portas e força incrível.

O JK deixou saudades ao sair de linha. Vários fatores contribuíram, dentre os quais: custava caro fabricá-lo no Brasil porque o projeto era da italiana Alfa Romeo. Além do alto custo de produção, era muito sofisticado para a época em que o mercado não atendia aos sedãs de luxo.

Felizmente, nos dias atuais trocamos os os carros, em face de vários fatores: quando se tem dinheiro saindo pelo cano ladrão, pelas facilidades de financiamento ou por simples vaidade.

Outrora as pessoas que possuíam Fuscas tinham a facilidade de trocar seus motores velhos por outro, recondicionado pela fabricante, “novinho em folha”, e os concessionários facilitavam a logística da troca. Ademais, porque, tais motores podiam ser retirados apenas com o desenroscar de 4 parafusos.

Nós, cronistas e historiadores, costumamos comparar fatos de ontem com os hábitos da atualidade. Por exemplo, reviver tempos em que tínhamos que levar nossos carros importados, para para recuperar motores, através do esmerilhamento de válvulas.

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