COMENTÁRIO DO LEITOR

Comentário sobre a postagem AS ARMADAS EM TEMPOS LULO-PETRALHAS

Maurino Júnior:

Há um tipo de degradação que não faz barulho. Ela não explode, não quebra vitrines, não derruba prédios. Ela acontece quando quem ocupa o topo do Estado fala sem medir o peso das próprias palavras. Instituições não são brinquedos retóricos.

Forças armadas, diplomacia, ciência, educação — tudo isso existe para funcionar apesar dos governos, não para servir de palco a bravatas, ressentimentos ou frases de efeito.

Quando um presidente expõe o próprio país ao ridículo, não está sendo “autêntico”. Está sendo imprudente. Quando diminui publicamente estruturas nacionais, não está sendo “crítico”.

Está sendo irresponsável.

Existe uma diferença abissal entre crítica séria e autodepreciação institucional.

A primeira fortalece. A segunda humilha — e humilha sempre quem não pode responder: servidores, militares, técnicos, diplomatas, cidadãos comuns.

O constrangimento estampado no rosto de quem estava ao lado não é detalhe. É o sinal mais honesto de que algo foi ultrapassado. Porque o corpo reage antes do discurso, e o silêncio constrangido é a última linha de defesa quando o decoro já foi violado.

Países não se governam com piadas mal colocadas, nem com comparações infantis.

Estado não é mesa de bar. Geopolítica não é meme. E liderança não é licença para falar qualquer coisa sem consequência. Essa lama institucional não cai do céu.

Ela é produzida, frase por frase, gesto por gesto, até que o excepcional vire rotina e o absurdo vire “estilo”.

E talvez o mais triste seja isso: não é o ataque externo que mais fragiliza um país — é quando quem deveria sustentar o edifício resolve chutar os próprios pilares.

Isso é o esgoto institucional disfarçado de sinceridade.

2 pensou em “ESGOTO INSTITUCIONAL

  1. Está em toda mídia que o embate eleitoral “desta feita” será entre o atual presidente e Flávio Bolsonaro. Que o brilhante texto escrito por Maurino Junior chegue até os dois candidatos, para avaliação e uso adequado na campanha presidencial 2026.

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