“Se a escada não estiver apoiada na parede correta, cada degrau que subimos é um passo mais para um lugar equivocado. (Stephen Covey)”
As manhãs estão se indo e os seus meios-dias trazem a luz mais forte do Astro Rei. Também as tardes, outrora chorosas sem que ninguém soubesse por quem, encaminham-se nas ladeiras colossais das milhares de cores, muitas delas imperceptíveis, para o seu crepúsculo mais quente.
E as noites? Pobres noites de lua sumida e de estrelas opacas. Mas são elas, as noites, que fecham esses dias de mudanças e quebra de paradigmas divinos; pois elas trazem a esperança de que uma nova era está em seu limiar, fazendo com que a massa possa aperceber-se que o eterno ideal é aquele sem soberanos invencíveis e sem aldeões subservientes, esses pobres súditos presos ao juramento de submissão e fé. A liberdade urge e grita como um leão feroz que ninguém pode conter. Um leão que não pertence a tribo alguma, mais é tão universal quanto o novo será quando descoberto por todos.
A verdade está com a liberdade, e ambas nasceram no mesmo ambiente e têm como pais a virtude e o desprendimento.
Havia em todos nós o anseio de inventar uma liberdade, ou descobri-la como ela é de fato. De fazermos dessa noite de descobertas um portal dimensional para a terra da segurança, da liberdade verdadeira e da vida sem opressões. É verdade, creiam-me! Estamos todos instigados pelos séculos e não nos cabe jamais desprezarmos o tempo, e fingirmos que a vida não passa, ou que somos indoutos, esquecidos dos ensinamentos dela – a vida.
Embora ainda estejamos todos sobejados das promessas feitas nas manhãs passadas e mais distantes, compreenderemos por fim que a vida é feita desses dois elementos antagônicos, mas tão próximos um do outro: amor e ódio. Perceberemos com a virada da noite que estar por vir o amanhecer de um novo dia, e que a vida em síntese era como uma bola cheia de promessas pseudo-esperançosas.
Na noite que virá, não! Pois o seu amanhã, quando as infinitas falso-certezas estiverem surradas e as dúvidas, finalmente, puderem subir ao limbo da racionalidade, aí, enfim, seremos mais justos e melhores. Excluiremos a fragilidade e adotaremos a coragem de sermos apenas nós mesmos, assumindo nossos pensamentos, escritos e discursos, embalados pela música da nossa vontade livre. Abandonaremos a nossa busca sedenta pelas vaidades e suprimiremos a insolente suposição da eternidade como deuses.
Nessa noite começará um tempo em que cada homem será um astro, e a plêiade será formada por homens de verdades e nunca por espectros. Homens sem receios, homens semelhantes em tudo, inclusive por serem todos de carne e osso. E isso será fantástico! Todas as coisas perderão aquela importância débil de antes e, assim, será uma noite que abrirá dias escassos de mártires, desprovidos de heróis da fé, e a totalidade das coisas será vinda do sentimento mais puro de que, antes de tudo, somos humanos.
De todas as coisas apenas uma será eterna: a certeza de que em tudo restará somente a vida. Apenas ela. Nada além. E finalmente o homem verá que, não obstante o poder ter sido corroído no azinhavre da imbecilidade, dali em diante todas as manhãs, todas as tardes e todas as noites passarão em paz.
E amor. O verdadeiro que apoia e é seguro.
Bravo. O último parágrafo é mais que um fechamento do texto. Acredite: haverá somente a vida
Obrigado, Assuero.