Marília, nos teus olhos buliçosos
Os Amores gentis seu facho acendem;
A teus lábios, voando, os ares fendem
Terníssimos desejos sequiosos.
Teus cabelos subtis e luminosos
Mil vistas cegam, mil vontades prendem;
E em arte aos de Minerva se não rendem
Teus alvos, curtos dedos melindrosos.
Reside em teus costumes a candura,
Mora a firmeza no teu peito amante,
A razão com teus risos se mistura.
És dos Céus o composto mais brilhante;
Deram-se as mãos Virtude e Formosura,
Para criar tua alma e teu semblante.

Manuel Maria Barbosa du Bocage, Setúbal, Portugal (1765-1805)
O soneto é um poema lírico de Bocage que exalta a beleza e a pureza de uma figura feminina idealizada, ou seja, por meio do poema o autor celebra a união da virtude com a beleza física da amada, descrevendo-a como uma criação divina – um composto mais brilhante vindo dos Céus – que une Virtude e Formosura.
Como diria Bebel, a personagem icônica de Camila Pitanga na TV, este poema é um texto de catiguria.