O dia estrebuchando e Zeca de Dôra a enfiar bufa em saco de feira, com toda a displicência que a tarefa exige. Do franzido da testa aos alicerces do calcanhar, uma fome danada e seu pensamento só se endereçando para o bode posto à mesa, prontinho para matar quem estava lhe matando. Língua chocalhando no céu da boca sem ter com quem conversar. Era um Julho em agonia, já quase virando Agosto.
Eis que chega a visita da amiga Maria José Bezerra Carneiro Leão, Mariinha de Zé Camelo (seu nome mais parecia um jardim zoológico), exímia na arte do nada fazer e também enfiadora de bufa, aposentada como Zeca. Resolveram espalhar a perna e dar uma andada pelo sítio.
E foram, andando e jogando conversa fora. Afinal de contas era um tempo em que as ventosidades caladas, também conhecidas por peidos silenciosos, podiam ser tranquilamente expelidas e enfiadas num saco de feira sem o risco de um assaltante que as levasse. Sim, porque hoje em dia até isto se rouba na falta de um celular ou de uma carteira recheada de cédulas e cartões. Ladrões de bufas é o que são.
E aí, tão boa a conversa virou que a lua, descompromissada com as nuvens, deu-lhes a dica de que o ponteiro do relógio já cortejava as 11 horas da noite.
– E o bode?, pergunta Mariinha.
– Isso lá é hora de comer bode, sô! Amanhã nóis come – combinou Zeca.
De barrigas ocas foram dormir com seus sacos de feira repletos de bufas.
