MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

Há inúmeros trabalhos publicados demonstrando o quanto a corrupção afeta o sistema econômico de qualquer país. O preço dos produtos e serviços contratados pelo poder público são maiores do que quando contratados pelo setor privado. As estimativas de gastos ultrapassam, e muito, qualquer orçamento elaborado, para qualquer que seja a obra. As Arenas construídas para a Copa do Mundo de 2014 são exemplos claros do que a gente vê. O estádio Mané Garrincha, em Brasília, foi orçado em R$ 600 milhões, mas teve um custo total de R$ 1,57 bilhão, ou seja, 161,66% maior do que o previsto. A Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, foi orçada em US$ 2,3 bilhões e teve seu orçamento ajustado para US$ 20,1 bilhões (note que aqui estamos falando em dólares!!!!!), isto é, um orçamento 773,91% maior do que o previsto e está sem funcionar, ou seja, até o momento ela só tem 75% da sua capacidade instalada. A Exxon Mobil custou US$ bilhões e é a maior do mundo.

Todos nós sabemos que tudo isso se retrata em corrupção, em dinheiro desviado para contas de diretores, de políticos, de partidos políticos. As empresas envolvidas em corrupção ganharam tubos de dinheiro com isso e do ponto de vista econômico vamos colocar a coisa assim: o que foi feito pela Odebrecht, OAS, UTC, etc. foi u aumento na concentração de renda do país porque eles ficaram mais ricos e a população, o empregado simples dessas empresas continuou pobre. Vamos dizer assim para ver se a esquerda desperta e crítica essa concentração de renda. Se vai às ruas protestar contra essa concentração de renda.

Acho incrível que pessoas como o Saad (Bandeirantes) dizer publicamente que a operação Lava Jato foi responsável pela derrocada da economia. Acho incrível que professores e pesquisadores, com trabalhos publicados sobre corrupção, venham a público defender o que foi feito nesse país nos últimos 16 anos. O déficit orçamentário é fruto da corrupção. A gente gasta mais do que arrecada por conta das propinas que são pagas nas compras de produtos e serviços superfaturados. Se o preço pago pelo setor público fosse equivalente ao que se cobra do setor privado, muito provavelmente o volume do déficit, se existisse, não seria nesse patamar porque a carga tributária do Brasil é muita alta (coisa de 40% do PIB).

Então, vermos um empresário, dono de um canal de televisão, corroborar com uma coisa dessa natureza é algo que constrange, mas tudo isso tem um motivo, tem uma razão de ser. O cerne da questão é a redução de gastos do governo com propaganda na mídia. Note que não deixa de ser uma forma de contribuir para os desmandos com recursos públicos. Nesse contexto, a gente vê a Folha de São Paulo, e agora a Veja, se associando com o Intercept Brasil para desqualificar uma operação que balançou as estruturas da corrupção e colocou corruptos na cadeia deixando outros com a “barba de molho”.

Até onde entendo, as conversas de Moro com Dallagnol são franciscanas quando comparadas as de Gilmar Mendes com Demóstenes Torres ou com Aécio Neves. Até onde entendo o comportamento de Gilmar Mendes soltando bandidos ou julgando casos do “Rei do ônibus”, corruptor do Rio de Janeiro, são mais graves do que o comportamento de Moro e dos procuradores da força tarefa. Moro conversou num sentido de procurar combater um crime. As conversas de Lula, Palocci, Dirceu e todo staff do PT foram sempre na direção de cometer crimes.

Vamos esquecer que Dilma tinha um e-mail cuja senha era “Iolanda” em conjunto com o casal João Santana e Monica Moura? Palocci disse que Joesley Batista tinha uma conta de US$ 30 milhões, autorizado por Dilma, para comprar o apoio do MDB na eleição de 2014. O próprio Joesley já tinha dito isso, enquanto Palocci estava preso. Então, eles combinaram a resposta?

Precisamos defender este país dessa sanha de canalhas que querem continuar roubando recursos públicos de hospitais, financiando ambulâncias que nunca foram entregues, construindo obras que não se destinam a nada. Precisamos lutar para manter na cadeia esse tipo de canalha.

Precisamos pressionar deputados e senadores mostrando que não estamos mais dispostos a aceitar a corrupção como um fato inerente a qualquer governo. Não podemos aceitar mais que Folha, Veja, etc. se prestem a fazer um desserviço à nação, apenas porque perderam verbas publicitárias. A gente precisa entrar mostrar aos anunciantes desses canais que não estamos satisfeitos com essa postura. A imprensa é livre, mas não se pode dar ênfase apenas ao que foi dito em relação ao presidente Lula.

Chega: cancelei minha assinatura da Veja. Parei de ler a Folha. No meu entender, divulguem tudo. Mas, enquanto isso não vem, vamos torcer para que a Polícia Federal conclua as investigações e identifique tudo que se fala sobre esse vazamento. Que se verifique a autenticidade das conversas. Como se trata de algo ilegal, vamos convidar Gleenorreia ou Gleenoragia para ir cantar noutro poleiro.

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