PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

O meu Destino disse-me a chorar:
Pela estrada da Vida vai andando,
E, aos que vires passar, interrogando
Acerca do Amor, que hás-de encontrar.

Fui pela estrada a rir e a cantar,
As contas do meu sonho desfilando …
E noite e dia, à chuva e ao luar,
Fui sempre caminhando e perguntando …

Mesmo a um velho eu perguntei: “Velhinho,
Viste o Amor acaso em teu caminho?”
E o velho estremeceu … olhou … e riu …

Agora pela estrada, já cansados,
Voltam todos pra trás desanimados …
E eu paro a murmurar: “Ninguém o viu! …”

Florbela Espanca, Vila Viçosa, Portugal (1894-1930)

Um comentário em “EM BUSCA DO AMOR – Florbela Espanca

  1. Porque o Destino chora ao dizer para Florbela perguntar sobre o Amor aos que passarem pela estrada de sua Vida?

    Saberia ele que Flor não o encontraria? Ele não existia ou ela não o enxergou enquanto ria e cantava pelo caminho?

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