O meu Destino disse-me a chorar:
Pela estrada da Vida vai andando,
E, aos que vires passar, interrogando
Acerca do Amor, que hás-de encontrar.
Fui pela estrada a rir e a cantar,
As contas do meu sonho desfilando …
E noite e dia, à chuva e ao luar,
Fui sempre caminhando e perguntando …
Mesmo a um velho eu perguntei: “Velhinho,
Viste o Amor acaso em teu caminho?”
E o velho estremeceu … olhou … e riu …
Agora pela estrada, já cansados,
Voltam todos pra trás desanimados …
E eu paro a murmurar: “Ninguém o viu! …”
Florbela Espanca, Vila Viçosa, Portugal (1894-1930)
Florbela e o seu destino triste.
Andou pela vida em busca do amor.
No início, cantava, ria e aproveitava sua juventude.
Perguntou por seu amor a quem encontrou.
No final, cansada, triste e doente descobriu;
Ninguém vê o amor passar por si.