CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

Bairro da Madalena, Praça João Alfredo, Recife

Homero de Carvalho, conhecido como “Mergulhão” foi um dos tipos pitorescos do Banco do Brasil-Recife. Homem bastante estranho. Caladão, fisionomia fechada, alto, forte, de boa saúde e sólida condição moral, não gostava de piadas nem palavrões.

A título de exercício, quase todos os dias, vestia seu macacão tipo “Shazam”, calçava suas alpercatas de couro e se mandava a pé da Madalena, onde residia, até o bairro do Rio Branco, onde trabalhávamos. Um estirão de quase 12 km.

Chegava mais suado do que tampa de chaleira. Entrava no chuveiro, depois se vestia como o Banco exigia: camisa branca e gravata. E iniciava seu trabalho com disposição de um jovem.

Entretanto, um dos pontos chamavam a atenção em seu modo de trabalhar, pois “especialista” numa antiga máquina de registrar o livro “Diário de Contas Correntes”. Era uma estrovenga manual que recebia enormes fichas, entremeadas por um papel-carbono, sendo acionada por enorme veio manual. Só esse “exercício” dispensaria o esforço que ele fazia quase todos os dias andando de sua casa até o Banco.

Entretanto, conhecedor da CLT, tinha o hábito de dar uma “parada estratégica” a cada 60 minutos, a fim de repousar, aproveitando o que a legislação facultava a tais trabalhadores. Nesses intervalos ficava na janela fazendo exercícios respiratórios e apreciando o movimento dos navios no porto.

Intelectual, dono de linguajar escorreito, dominando bem o vernáculo. “Mergulhão”, mesmo no trato normal com os colegas, usava palavras empoladas. Conversar com ele era um suplício porque gostava de nos deixar embatucados, sem saber o significado de algumas palavras que proferia.

Certa feita, ao chegar, suado e ofegante, contou a José Canuto uma história que lhe impressionou.

– Meu amigo Canuto, estou estupefato! Ao raiar da manhã, quando o Rei dos Astros, se apresentava já ofuscante, pronto para viver as sendas comuns da vida, preparei-me para a caminhada até a gloriosa instituição onde labutamos e ao passar pelo quarto de meu filho, Alvinho, esbugalhei os olhos diante do que vi na porta entreaberta.

Surpreendido fiquei estatelado. Deparei-me com meu descendente sentado na cama, sem roupa, movimentando, em compassos alternados, seu membro viril, com os globos oculares fixos numa revista de imagens inadequadas à sua idade, onde se viam mulheres despidas.

E “meu menino”, com a face mergulhada na gravura de u’a bela dama que se mostrava com protuberantes seios, ele em plena tesão dos seus 14 anos, feito um desvalido, ejaculava numa “solitariedade” de dar pena.

E diante de minha inusitada presença o adolescente deu um grito após o espirro do esperma que ganhava as alturas:

– Pai, vai embora, que eu tô gozaaaaando!…

– Meu filho, nunca pensei que você ejaculava a esmo!…

10 pensou em “EJACULANDO A ESMO

  1. Como sempre, muito bons e divertidos, os “causos” aqui contados pelo Sr. Carlos Eduardo. Até lembrei de um amor passageiro que tive, tempos atrás,(e haja tempo) com uma enfermeira. Chegando perto da gozada ela começou a falar: – não ejacule dentro, não ejacule dentro. Brochei na hora com a história do ejacule.

      • Caro Beni,

        Esse negócio de gozar só presta mesmo lá dentro.

        Me ensinaram, quando mais jovem, que para evitar filhos eu poderia usar o processos do “coitus interruptus”, u’a merda em latim que não me adaptei porque quando gala vem – meu caro – não há quem segure e aquele negócio de tirar de dentro do melhor para jorrar à distância, não era nada bom.

        As tais Camisas de Vênus era outra bosta. Também não gostei.

        Depois tive que me concentrar na famosa Tabela Ogino Knaus, que determinava os dias de fuder. Outra agonia.

        Agora, aos 85 anos, mais “maneiroso”, ainda tenho saudades daquelas safadezas conjugais.

        Tive que me manter controlado porque já havíamos emplacado 3 filhos e a conta viria depois.

        Obrigado por seu comentário e o elogio pelos causos.

  2. Paulo amigo,

    Que foi de lascar, foi!

    O cabra no auge da masturbação dar de cara com um pai austero, foi de lascar.

    Grato por sua leitura.

    A melhor coisa do mundo – já me disse um palhaço de circo – e provocar uma boa risada.

    Um abração bem fubânico.

    Carlos Eduardo

  3. Esse negício de gozar é gozado…

    1 – O recorde mundial é de 222 orgasmos em 2009, o feito foi realizado por Deanna Webb;
    2 – Durante o orgasmo feminino, as paredes da vagina soltam uma pequena descarga elétrica. 1000 mulheres são capazes de acender o Maracanã em dia de Fla-Flu;
    3 – Prolactina, o inimigo: Esta substância é liberada após a ejaculação do homem, dando a sensação de muito cansaço, fazendo com que ele durma logo após o sexo;
    4 – A velocidade de uma ejaculação masculina pode chegar aproximadamente à 45 km/h;
    5 – O orgasmo de um porco, ISSO MESMO, UM PORCO pode durar cerca de 30 minutos;
    6 – Síndrome da excitação permanente: Parece um sonho mas não é! Um caso raro onde a mulher pode ter até 200 orgasmos por dia sem mesmo ter relação sexual;
    7 – Orgasmo aumenta sua imunidade, assim você está menos suscetível a gripe e outras doenças fáceis de combater;
    8 – O orgasmo libera a endorfina e a ocitocina, fazendo com que você se sinta melhor e de bom humor;
    9 – Quem tem 2 ou mais orgasmos por semana vive mais, diz estudos;
    10 – Confesse: você está com uma puta inveja do orgasmo do porco.

    • Nobre sidekick do lendário Dom Quixote,

      de acordo com o item 9, viverei mais que Adão.

      Só isso tinha para relatar, obrigado.

  4. Ainda bem que o descuido do moleque, com a porta entreaberta, e o surgimento inesperado do pai não interrompeu quem sabe, o seu primeiro gozo. Aleluia!

  5. Caro Sancho,

    Nunca pensei que você se apresentasse como cientista e pesquisador.

    Foi gozado lei seu comentário.

    Tempo houve, aí pelos meus 12 anos, quando a gente estva estreiando na punhetagem que os meus coleguinhas diziam que quem tocava punheta nascia cabelo na palma da mão.

    Teve outro que disse que se a gala que a gente havia perdido subisse bem alta o menino a ser emprenhado seria aviador.

    Coisas dos bons tempos.

    Copiei sua pesquisa para distribui-la com meus comparsas.

    Grato por ter desenvolvido tão agradável tema.

    Hoje, infelizmente, o pau não tem mais a mesma rigidez de outrora, mas ainda bambeia provocando orgasmo discreto.

    Bom domingo, amigo!

  6. Caro Deco,

    A atitude de Alvinho foi correta.

    Interromper um orgasmo só se o marido da sacana estiver chegando e a gente tenha que ir pra baixo da cama ou pra dentro do guarda-roupas.

    Em outra circunstância, jamais!…

    Obrigado por seu comentário.

    Bopm domingo, amigo.

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