A Ciência Econômica não tem o mesmo apelo das ciências laboratoriais, ou seja, daquelas nas quais é possível a experimentação, os testes, as comprovações e a enunciação de leis que regem determinados fenômenos. A Ciência Econômica sofre forte influência da sociedade e, principalmente, do governo. Basta qualquer membro do governo proferir algo que o mercado (olha aí a peste meu caro Roque Nunes) logo reage, para o bem ou para o mal.
Cada presidente eleito tem uma proposta econômica – exceto o último eleito que não apresentou porra nenhuma – e sempre tem uma equipe de economistas liderada por um “tampa de crush” para fazer o Brasil crescer. Desde que Banânia se transformou em república, muitos desfilaram como ministros da economia, alguns dos quais totalmente esquecidos. Quem tiver curiosidade de entender um pouco do que aconteceu nesse país desde 1889 até 1989 dê uma lida no livro A ordem do Progresso (organizado por Marcelo de Paiva Abreu). Cada capítulo é escrito por ou mais autores.
Economia, por não ser uma ciência exata, permite diversas interpretações sobre o mesmo fenômeno. Em 2013 Eugene Fama e Robert Shiller, ganharam Nobel de Economia. O primeiro defendendo que os mercados são eficientes e o segundo indo na direção contrária. É nesse contexto que apoio esse texto. Paulo Guedes fez um esforço incrível para colocar a economia nos trilhos do crescimento econômico e não conseguiu mais por interferência do poder judiciário. Mas, apesar dos resultados como redução da taxa de juros para 2% ao ano (o Brasil teve juros negativos!), apesar a redução do desemprego, do crescimento econômico, do superávit nas contas públicas, do lucro das estatais, do Pix, etc. o ministro foi duramente criticado. Mesmo, a economia de moldando a uma performance de primeiro mundo, os economistas de plantão, principalmente, os esquerdopatas, não poupavam as medidas, a principal delas a renúncia fiscal.
Quando Haddad assumiu um dos primeiros pronunciamentos tratava do rombo nas contas públicas deixado pelo governo anterior. Rombo? Como? Basta consultar as contas públicas para verificar tais contas estavam positivas. Mas, de onde veio esse rombo declarado? Da renúncia fiscal, ou seja, o cara considerou rombo aquilo que o governo deixou de arrecadar com a isenção de impostos como o PIS/CONFINS cobrado sobre combustível. Armínio Fraga foi um dos que condenou esse fato e sugeriu que o governo voltasse a cobrar tais impostos porque eles são fundamentais para o equilíbrio fiscal. O detalhe é que mesmo com a renúncia, houve aumento na arrecadação do governo.
Uma das explicações mais comuns para isso é a conhecida Curva de Laffer (Arthur Laffer, economistas que foi assessor de Ronald Reagan). Reproduzo abaixo um gráfico da Curva de Laffer:

Se a alíquota do governo for 0 o governo não arrecada tributos. De modo igual se fosse 100% a arrecadação também seria nula porque não haveria estímulo à produção. Esse T* que aparece aí é a alíquota ótima, ou seja, aquela que maximiza a arrecadação. Além dela, a arrecadação cai porque haverá sonegação, por exemplo.
Armínio “Praga” jogou fora seus conhecimentos para defender aumento da tributação. Essa visão é estreita demais para que aquele que tem algum nível de inteligência. O governo anterior mostrou ser possível aumentar arrecadação com isenção de impostos. “Praga” declarou voto em Lula no segundo turno, ou seja, mais do que ser contra Bolsonaro ele se colocou contra um modelo econômico que vinha dando certo, preferiu outro inexistente. Quando ficou claro que a meta do governo era furar o teto da PEC 95, “Praga” foi a público dizer que “estava preocupado” com as diretrizes do governo na área fiscal e que o teto não deveria ser desrespeitado. Como diz, geralmente, o educado Maurino Júnior: “Armínio, vai tomar no olho do fiofó!”. Guedes conseguiu fazer alguma coisa no social, conseguiu pagar auxílio emergencial, etc. respeitando o teto. A “PEC Kamicase”, por exemplo, custou R$ 40 bilhões de reais e foi bancada com dividendos da Petrobras (R$ 24 bilhões) e mais lucro das estatais, devolução de lucros do Banco Central e do BNDES ao Tesouro Nacional.
A sensação que eu fico é que há um conteúdo de inveja fora do comum nesses caras. Eles não são capazes de aceitar o sucesso de alguém. Essa é a famosa turma do quanto pior melhor. O que eu acho mais engraçado é o cara tentando justificar a merda que fez. Não tem argumento, não tem explicação, mas o cara fica lá posando de sabichão. Enquanto a Ciência Econômica for usada para atender demandas eleitoreiras, será difícil um consenso. Essa ciência tem por base alocar recursos de forma ótima de modo que seja maximizado o bem estar social. Tudo que eu queria é que isso fosse feito de forma técnica, sem viés político.
Em breve trarei aqui algumas máximas dos economistas, mas utilizando o exemplo de Fama e Schiller que ganharam Nobel defendendo coisas antagônicas, cito as duas leis da Economia: 1ª Lei: Para cada economista sempre existe pelo menos um que pensa o contrário; 2ª Lei: Ambos estão errados.
Esse tal Mercado, meu caro Maurício, parece cavalo passarinheiro. Mas, é ele que dá racionalidade à economia e à vida social. Mas como disse, essa gente entende bem, e muito bem do que fala e faz. O objetivo você mesmo disse. Para essa gente a inveja do sucesso alheio é tão grande que eles não se importam em destruir um país para se darem bem financeira e politicamente.
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