Quem costuma viajar de avião certamente conhece bem essa frase. Ela é ouvida sempre que a aeronave está taxiando, quando a tripulação transmite instruções de segurança aos passageiros: “Ponha a máscara primeiro em você, antes de ajudar crianças ou outras pessoas”.
Deveria ser óbvio, e talvez seja mesmo.
Afinal, estamos falando de máscaras de oxigênio que caem automaticamente diante dos passageiros, em caso de perda da pressão da cabine do avião.
Com os voos comerciais circulando por aí entre 35 e 40 mil pés de altitude, algo em torno de dez a doze mil metros, precisamos mesmo de uma cabine pressurizada para conseguir respirar satisfatoriamente. À medida que subimos, o ar fica rarefeito.
Mas, cada vez que ouço esse aviso, percebo que ele transmite algo que vai além das viagens de avião e da dificuldade para respirar (situação pela qual, felizmente, jamais passei!). Trata-se, na verdade, de uma advertência para a vida.
Vivemos cercados de pessoas que amamos e queremos ajudar. Filhos, pais, cônjuges, amigos. Muitas vezes, porém, ficamos tão concentrados nos problemas alheios que esquecemos de cuidar de nós mesmos. E então acontece algo curioso: na tentativa de salvar todo mundo, acabamos esgotando as próprias forças.
É aí que o aviso das máscaras nos mantém com os pés no chão, nos lembrando que, se queremos ajudar alguém, precisamos cuidar de nós mesmos primeiro.
Há algo de egoísmo nisso? Penso que sim. Mas é um egoísmo que tem a virtude de nos fazer reconhecer que não se pode oferecer serenidade aos outros quando não se está em paz consigo mesmo. E que, para servir de apoio, é preciso primeiro se manter de pé.
Há uma diferença importante entre tomar uma atitude pensando exclusivamente nos nossos próprios interesses e cuidar de si mesmo sem desconsiderar os outros. A primeira atitude nos isola; a segunda melhora a nossa qualidade de vida, sem prejuízo de estender a mão a quem precise.
Algo que talvez se possa chamar de “egoísmo solidário”. Parece paradoxal? Talvez. Mas isso não significa que seja inviável. E a beleza do fenômeno talvez esteja nesse aparente paradoxo.
O fato é que a orientação dada nos aviões é inquestionavelmente sábia. Porque, na cabine de uma aeronave ou nos desafios da vida, quem perde o próprio fôlego dificilmente conseguirá amparar outra pessoa.
Então, antes de ajudar alguém a respirar, certifique-se de que você mesmo continua respirando.