XICO COM X, BIZERRA COM I

No carnaval, o José esqueceu a verdade e fez muito bem. Escondeu num lugar bem secreto a chave que nenhuma porta abre e engoliu em seco a palavra doce que nunca pronuncia. Apenas sentou-se na esquina do mundo esperando a utopia. A vida de fantasia, embora fugaz, é bem menos doída, sabia José. Dói menos ver quase nada no bolso se há uma colombina a lhe alegrar o coração; é menos dolorida a barriga vazia se há uma esperança a azular-lhe a alma. Fez muito bem José em não ter ido para Minas em busca de sua lavra de ouro, de seu terno de vidro. Ficou por aqui, ladeiras e pontes a receber seus pés e suor porque a vida tem todo dia e aquela alegria só acontece três ou quatro dias por ano e vale a pena pensar que aquela é a verdade. Embora não seja. Aquilo tudo era festa, era carnaval, era folia. Isto, apenas a vida. A fantasia, para José, sempre foi muito melhor que a realidade. Assim era feliz José, por três ou quatro dias. Evoé!

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