XICO COM X, BIZERRA COM I

No carnaval, Carlos esqueceu a verdade e rendeu-se à ilusão do carnaval, no que fez muito bem. Escondeu num lugar bem secreto a chave que nenhuma porta abre e engoliu em seco a palavra doce que nunca pronuncia. Apenas sentou-se na esquina do mundo esperando a utopia. A vida de fantasia, embora fugaz, é bem menos doída, sabia Carlos. Dói menos ver quase nada no bolso se há uma colombina a lhe alegrar o coração; é menos dolorida a barriga vazia se há uma esperançazinha qualquer a azular-lhe a alma. Fez muito bem Carlos em não ter ido para Minas em busca de sua lavra de ouro, de seu terno de vidro. Ficou por aqui, ladeiras e pontes a receber seus pés e suor porque a vida tem todo dia e aquela alegria só acontece três ou quatro dias por ano e vale a pena pensar que o riso seja a verdade, ainda que não. Aquilo tudo era festa, era carnaval, era folia. Isto, apenas a vida. A fantasia, qualquer que fosse, para Carlos sempre foi muito melhor que a realidade. Assim era feliz Carlos, por três ou quatro dias até a vida quarta-feirar-se e Carlos voltar a ser Carlos. Num é não, seu Drummond? Evoé!.

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  1. Viva Drummond. Inspirado neles escrevi essa ‘baboseira’. Feliz de quem tenha tido o privilégio de tê-lo como amigo, meu nobre Jurista Tri-Acadêmico. Feliz ‘restim’ de carnaval.

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