O melhor amigo de papai faleceu quinta-feira, dia primeiro.
No começo do ano passado, em sua última visita ao meu velho, ele havia saído lá de casa com os olhos cheios de água pela situação. O Alzheimer de papai impedira uma conversa coerente e alegre, como sempre foi o encontro de ambos, trazendo as boas lembranças daquela amizade genuína contando pouco mais de três quartos de século.
Quando eu comuniquei a papai essa ida, dizendo “Gata morreu”, o seu olhar pareceu se perder em algum ponto.
Com a sua voz cada dia mais fraca pronunciou o nome completo do amigo.
– Adaílton Eduardo da Silva.
– Isso, papai – respondi. – Adaílton Eduardo da Silva. O Gata – falei ao seu lado.
– Filho de Antônio Eduardo – ele completou sereno, olhando para a rua.
Depois ele virou o rosto para mim, e me fitou.
– Morreu?
– Sim – eu lhe respondi.
– E ele me conhecia?
Eu fiquei em silêncio; mas, com vontade de dizer “talvez mais até do que eu”.
Papai tamborilava no braço da cadeira.
– Olhe o tamanho daquele cururu!
O vento levava uma folha seca pelo meio da rua.
Em mim as duas coisas doíam.
Das dores do mundo a gente não escapa, grande poeta Jesus de Ritinha de Miúdo. As dores da alma doem mais do que as dores físicas.
Minha solidariedade a você, diante do quadro que se instalou em sua vida, com o afastamento mental do seu querido pai., um homem inteligente e amigo.
Que Deus faça reverter esse quadro, com melhoras para ele.
Meus votos de um Ano Novo cheio de Paz, com muita saúde e força espiritual, para você e sua família!
Grande abraço.
Que os seu votos alcancem todos nós, Violante querida.
É lamentável meu amigo, essa sua dor. Sem palavras a situação do seu amado pai.
Mas a gente vai levando.