Praça Rio Branco – Recife
Relembrar não é doença de idosos. É mais uma arte de historiar, por escrito ou em palavras, a fim de se deixar mais visíveis as marcas de alguns fatos importantes sobre a vida da capital de Pernambuco.
Na época colonial, a exemplo, as primeiras edificações do bairro-lha tinham, no máximo, três pavimentos e não possuíam elevadores. Erguiam-se coladas umas às outras, sem ventilação, sem jardins, sem quintais e sem “visão de rua”. Algumas, no pavimento residencial, possuíam varandas.
Exemplo disso é um dos nossos relicários, a antiga Rua dos Judeus, atual Rua do Bom Jesus, nascida no primeiro bairro da cidade, identificado anteriormente com: Frei Pedro Gonçalves do Recife.
No cadastro da Prefeitura, entretanto, consta que, o primeiro zoneamento residencial, foi Nossa Senhora do Pilar, atualmente apenas conhecido como Pilar.
Com o tempo, as pessoas começaram a identificar toda a região da ilha-bairro, como: Rio Branco, denominação atribuída ao Barão do Rio Branco (José Maria da Silva Paranhos Jr.). Pouco havendo lembranças do bairro do Pilar, que nos dias atuais se amplia e adapta-se à modernidade.
As velhas casas de comércio da Rua dos Judeus, situavam-se nas partes térreas, os 1ºs andares serviam moradia e os pavimentos superiores ficavam disponíveis para as mercadorias. Um exemplo da arte dos portugueses, que costumavam habitar no mesmo local do comércio que exploravam.
Os modelos coloniais, muitos anos mais tarde, viriam a ceder lugar ao modernismo. Mesmo nas vilas populares, as casas tinham o privilégio de possuir jardim, oitão, quintal e ampla visão da rua.
Para falar sobre o bairro, recorro às notas do meu saudoso amigo, o historiador, José Luiz da Mota Menezes:
O bairro teve esse nome em homenagem a Frei Pedro Gonçalves, franciscano de destaque, que viveu na época, tornando-se emérito por seu trabalho religioso e social desenvolvido na primitiva zona residencial daquela ilha.
Um nome tão extenso foi alterado com o passar do tempo e a imperiosa necessidade das pessoas. E foi diminuindo esse nome até se tornar conhecido apenas, como: Rio Branco, que logo mais teria destaque em função do logradouro denominado: Marco Zero.
O bairro do Pilar, localizado próximo à região portuária, tem esse nome ligado às tradições católicas. Na época colonial era comum batizar localidades com denominações de devoção mariana. O nome, portanto, se refere à Nossa Senhora do Pilar. A exemplo, temos várias outras denominações, inclusive o nome de Nossa Senhora do Rosário da Torre, atual bairro da Torre.
Lembro-me dos biscoitos fabricados pela Cia. de Produtos Pilar: Maria, Maizena e cream-cracker, que eram vendidos, em latas enormes, sob a forma de paralelogramo e outras com embalagem de papelão e formato de um bangalô inglês.
A fábrica foi fundada em 1875, pelo cidadão português Luiz da Fonseca Oliveira e ainda está em plena atividade, situa-se na Rua do Pilar, 89, esquina do antigo Cais do Apolo, atual Av. Martin Luther King.
Assim, sinto-me bem ao rememorar, com olhar didático, alguns episódios vividos, os quais remontam aos tempos do Ontem, a fim de dar aos jovens de hoje a oportunidade de ampliar seus conhecimentos sobre a cidade do Recife.
É oportuno que se conheça a máxima de Fernando Lobo:
“O melhor do passado é se poder analisar as épocas e achar graça no contraste das comparações.”
Somente assim será possível entender bem as épocas, sob a ótica dos termos comparativos.

Linda essa crônica, mostra como o Recife antigo era bem movimentado. Hoje da tristeza e medo andar no Recife antigo.
Caro Valte.
Eu não disse nada ainda sobre o Recife empobrecido e abandonado. Veja a nota que recebi e ora lhe mando. Vou tentar mandar, por aqui, o vídeo. Se nãoconseguir, segue o link da invasão chinesa no bairro de São José, que mudou muito, mas para pior.
O ruim da história é que a fábrica de carros elétricos, na Bahia, ganhou isenção de todos os impostos por 30 anos; na Rua das Calçadas, (bairro de São José) e na região de intenso comércio, os imóveis estão sendo comprados e há lojas abertas pelos orientais para a venda de produos bartíssimos (o que derruba nossas indústrias e artesanatos), que recebem mercadorias da China com isenção de tudo. E nós comprdores, “Oh”, tomamos onde maria tomou atrás da horta. Nos balcões de venda, lindas e desenroladas moças, “vendem vermelho a quem tiver de luto”.
https://www.instagram.com/reel/DYS1kR0x5Uv/?igsh=c3B3Y3FtYjJkbnZ2 p
Grato por sua leitura e um abraço sabatinado.
Carlos Eduardo