CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

Guardar documentos, simples papéis ou fotografias, para quem vive escrevendo por força das circunstâncias profissionais, não é um fato tão raro assim. Muitos da velha geração costumavam guardar tais coisas a partir de manuscritos, visto que anos atrás as “máquinas de escrever” não eram popularizadas.

Conheci, há poucos dias, cidadão que quase me fez cair o queixo, pois mandou arrumar bem direitinho, todos os recortes de sua passagem por uma associação de classe e agora mandou digitalizá-los para publicar um livro de raro valor.

Está na lista de meus projetos transformar em livro tudo quanto tenho guardado em jornais. Matérias que vão desde a simples reportagem até pequenas notas em Crônicas Sociais.

Todavia, graças às inteligências que planejaram e adaptaram às tecnologias modernas, o Jornal da Besta Fubana, disponho hoje de um arquivo totalmente digitalizado, graças à ciência de Bartolomeu Silva, que trata do planejamento e publicação de todas as fases deste jornal.

Aproveitando o tema, recomendo aos jovens de hoje guardarem em papel tudo quanto for recordações de suas vidas, porque se algum dia faltar energia ou a Internet pifar, nada poderá ser revisto se não estiver também guardado em papel nos velhos baús de casa ou nas estantes das bibliotecas, indicativo de que os papéis fotografados, manuscritos ou datilografados já viraram livros que ficam para muitas gerações à frente.

Para que sirva de exemplo, já estão prontas as primeiras páginas de um livro de crônicas publicadas, projeto que terá o título: Crônicas Cheias de Graça. Os elementos fundamentais de suas páginas serão quase uma centena de recortes que meu pai guardou.

Dessa maneira, os recortes vão formando livros. Foram muitos os autores que aproveitaram essa matéria prima para publicar seus livros.

Meu saudoso amigo, o Dr. Rostand Paraíso, o fez de modo magistral, trazendo para um novo público velhas páginas editadas pelo Jornal do Commercio e deixou uma significativa coleção de preciosos livros sobre a História do Recife.

Dentre muitos: “Esses ingleses…”, “Velhas Pensões do Recife”, “Café Lafayette”, “Antigos hotéis e pensões”, “Velha senhora: a Medicina” e o mais inteligente é que ele escolhia, de cada uma dessas crônicas, os títulos dos seus livros.

Segui a mesma linha de preservação dessas preciosidades. Outro dia me lembrei que tais recortes são como os rios – que correm para o mar – os recortes de jornais vão compor livros e assim documentar a histórias dos nossos e de outros tempos. Ou seja: os recortes dos jornais chegam, geralmente, aos livros.

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