XICO COM X, BIZERRA COM I

Retalhos se espalhavam e coloriam toda a extensão da sala, ao redor de sua cadeira e da velha companheira, uma Singer antiga e barulhenta movida pelo pedal em que Dona Alzira assentava o pé para lhe imprimir movimento. Dali saíam blusas, saias e vestidos para as meninas, calças e camisas para os meninos de quase todas as famílias que moravam ali, no entorno da Vila dos Marítimos. Apenas quando Ivan, seu caçula, lhe exigia o peito a casa silenciava e a máquina de costura tinha sossego. Como era bom ver aquele arco-iris bonito colorindo o chão daquela casa humilde, mas nem por isso menos feliz. Ainda existem costureiras? Será que os retalhos ainda colorem suas casas sob o ruído intenso de velhas Singer? Por onde andará Dona Alzira? Por onde andarão meus sonhos de menino encantado com a cor?

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3 pensou em “DONA ALZIRA

  1. Eita Xico, o som de uma Singer também me acompanhou desde o nascimento até a juventude. Ainda me lembro da correia de couro, da bobina, do gabinete de madeira, do oleo Singer…
    Biliu Cajueiro, sempre animada e disposta, criou os três filhos com o ganho de suas costuras.
    Saudade de minha galega.

    • Minha mãe, que através do meu irmão, é assim redesenhada em palavras que transformo na imagem do como era ela.

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