MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

A eleição de Fernando Collor de Mello trouxe o modelo de um presidente civil eleito pelo voto da maioria. A partir de 1982, já escolhemos diretamente pelo voto os governadores e os prefeitos das capitais que, antes, eram indicados e não escolhidos pelo povo. Com a experiência da eleição de 1982 e 1986 para governadores, as condições para escolher o presidente estavam definidas, aceitas e cabia apenas, implantá-las. Como se sabe, o presidente eleito perdeu-se na lama de corrupção gerenciada por Paulo Cesar Farias, com o apoio de alguns bancos que abriram contas fantasmas para movimentação de recursos.

PC, como era chamado, foi assassinado, exatamente, nessa época de São João, ao lado de Suzane Marcolino, sua então namorada. A conclusão do inquérito foi homicídio seguido de suicídio, ou seja, ela tinha atirado em PC, suicidando-se depois. Os seguranças que estavam na casa, quase todos policiais ou ex-policiais, não ouviram os tiros e somente quando o dia amanheceu perceberam o crime. Francamente, o laudo poderia até ter confirmado que foi suicídio seguido de homicídio que estava tudo bem.

O impeachment de Collor levou Itamar Franco à presidência e com ele surgiu uma eminência parda chamada Fernando Henrique Cardoso. Logicamente, o governo foi marcado por escândalos dentre os quais a questão do dinheiro para comprar votos para aprovação da reeleição, mas surgiu uma luta interna entre o PSDB e o PT e, o mais esquisito, era que ninguém falava em terceira via e ninguém enxergava um candidato fora dessa ideologia com potencial eleitoral. Isso mudou em 2018, mas o que não mudou foi a postura do PT, principalmente, de acusar os outros daquilo que ele mesmo faz.

Gratuitamente, o PT tem atacado o presidente do Banco Central – eleito o melhor do mundo – por conta da política monetária, mais precisamente da condução da Selic. Lula chegou a dizer essa semana que “Meirelles tinha autonomia comigo” num alargamento da burrice porque a autonomia não é do presidente, mas, sim, do Banco Central como instituição. Acreditam que basta derrubar a Selic para a economia explodir em crescimento. Não é assim. A redução da taxa de juros, por um lado favorece o investimento privado, por outra aumenta a oferta de moeda, fato que provoca aumento de preços, ou seja, inflação.

No momento em que a taxa de juros cai, os títulos do governo deixam de ser aplicação interessante e isso já aconteceu no governo Dilma. Como consequência mudaram a foram de cálculo de rendimento da caderneta de poupança, afetando o pequeno investidor. A redução da taxa de juros poderia incentivar o consumo e dinamizar a economia, no entanto, a renda está estagnada, temos um sem-número de empresas em Regime Judicial e aumenta a quantidade de pessoas beneficiárias dos programas sociais, ou seja, exatamente aqueles que elegem candidatos, pela esmola que recebem.

Para completar, li que a presidente do PT vai acionar a justiça contra Campos Neto com o intuito de proibir que ele se manifeste publicamente. Isso como decorrência da homenagem que recebeu em São Paulo e onde disse, segundo o PT, que se Bolsonaro não permanecer inelegível em 2026 e ganhasse as eleições, ele aceitaria ser seu ministro da economia. A democracia petista entendeu essa expressão como uma influência nefasta e a razão é simples: o trabalho que o cara faz é estupendo, então a coisa mais lógica é não permitir que ele demonstre sua capacidade.

Não faz muito tempo, os ministros do STF participaram ativamente de campanha política, fato que gera impeachment, mas devido a falta de ombridade do senado, ninguém teve ou tem coragem de aceitar um pedido de impeachment contra esses deuses da justiça e do saber. Barroso disse “nós somos o lado certo”, “nós derrotamos o bolsonarismo”, “perdeu, Mané! Não amola!” e nada aconteceu com Barroso, com Alexandre de Morais, com Fachin. Eles podem falar porque estão no mesmo prato da balança que o PT.

Vimos e estamos vendo, todos os dias, provas sendo anuladas por Dias Toffoli. A mais recente foi do marqueteiro da campanha de Dilma, João Santana. Aquele mesmo que produziu uma peça dizendo que se Aécio fosse eleito, os banqueiros iriam tirar alimentos da mesa porque dominariam o Banco Central. As palavras não foram essas, mas o contexto, sim.

No fundo, o PT está superfeliz com essas anulações porque volta a impor a impunidade nesse país. A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, está crente que o STF será capaz de anular o chifre que ela botou em Paulo Bernardo. Francamente, não tenho nada contra quem bota ou leva chifre. Isso é uma escolha própria, o que me incomoda é que ela usou dinheiro público para pagar os hotéis onde ficava com o amante.

12 pensou em “DOIS PRATOS DA BALANÇA

  1. Boas festas de São João nobre Assuero, isso é o retrato fiel de um país onde um lado tudo pode e outro, se pudessem, prendiam até pensamento, quanto mais palavras. Mas falavam meus pais com suas simplicidades, toda araruta tem seu dia de mingau, eterno só nosso Criador.

  2. Grande Assuero: como sempre, não perco a oportunidade de aprender coisas edificantes com a leitura de suas lições de economia – mormente se tratando de um “semi” como eu em assuntos nessa área. A única lei econômica que sigo, pobre de minh’alma, é a originada de meu velho pai, mal terminado seu curso primário: “você não pode gastar mais do que ganha”. Seguramente por isso vou sair desta encarnação sem patrimônio material para reforçar contas-correntes de filhos.
    Valeu a lição. Tenha um bom domingo, com muita saúde e paz. Abração.

    • Meu ilustre amigo! É simples e sensato. O orçamento de um país é mais complexo do que o de uma pessoa, mas o princípio que rege é mesmo: corte gastos quando o saldo ficar comprometido. Esse governo está longe de fazer isso

  3. Professor Maurício Assuero, o senhor escreveu a verdade a respeito dessa gente da esquerda brasileira, que nunca tiveram respeito ao nosso país. Eu espero que nessa eleições Municipais, essa gente da esquerda brasileira não tenha triunfo.

  4. Meu nobre Assuero…. faço uma constatação e uma provocação. A primeira é sobre coerência, e a segunda sobre economia:
    1 – Pedir para esquerdista ter coerência é tão impossível quanto fazer um jumento peidar a ópera Don Giovanni em Lá Bemol.
    2 – Você espera o quê de economistas formados na Unicamp…. Unicamp…. isso mesmo. Ela tem uma escola de economia em que Karl Marx é o Patrono.

    • Roque, você pode trocar o primeiro pelo segundo que continua servindo como constatação e provocação..O pior é pegar a Ciência Econômica e colocar a serviço de interesses particulares.

  5. Nessa edição de domingo do nosso glorioso JBF , apareceu uma frase do próprio papa Berto que cabe como uma luva para situar Lula , Haddad e o resto do bando petista : “Pode-se perdoar tudo num ser humano, menos que não bote força para deixar de ser burro”.
    Em tempo : os governos petistas são especialistas em aumentar o P.I.B. nacional e em consequência disso permanecem mais tempo no poder . Entenda-se PIB : pobres , Inflação e Burrice . São especialistas em manter a maioria da população dependente do assistencialismo governamental , gastando tudo que pode ( aumentando a inflação ) e destruindo a educação ( aumento da burrice ). Sem instrução e com a miséria das migalhas que o governo paga temos sempre os mesmos resultados nas eleições .

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