Quando eu era menino e tinha cheia
A alma de sonhos bons e, fugidio,
Como a abelha que voa da colmeia,
Andava a errar no canavial bravio;
Quando em noites de junho o luar macio
Punha um lençol de rendas sobre a areia,
Tiritava de medo ouvindo o pio
Da coruja mais lúgubre da aldeia.
Feliz! Bendita essa primeira idade!
Andava como quem anda sonhando
De olhos abertos, com a felicidade.
Dormia tarde e enquanto eu não dormia,
Mamãe rezava o padre-nosso e quando
Me mandava rezar, eu não sabia.

Olegário Mariano Carneiro da Cunha, Recife-PE, (1889-1958)
Ensinar o Pai Nosso foi uma das primeiras coisas que fiz com minha netinha.
Digo a ela que não há monstro ou assombração que a irá amedrontar depois que ela rezar o Pai nosso e a Ave Maria.
Rezar a Deus é bom demais.
As crianças chegam a falar diretamente com Ele, os Anjos e Santos.
Boa poesia.