Há algum tempo, meu prezado amigo Goiano Horta, compartilhou comigo uma manchete de um jornal de Petropólis, datado do final do século XIX. O jornal falava da enxurrada que matou centenas de pessoas. Geralmente, quando chega janeiro a água leva sonhos, casas, animais, carros, esperanças, etc. na cidade maravilhosa e adjacências. A gente vê o poder público “comovido” dizer que está implantando projetos para acabar com o sofrimento do povo e o resultado são recursos mal empregados, desviados, e o povo sofrendo e perdendo vidas.
A questão da seca do Nordeste não foi diferente disso. Desde D. Pedro II que se falava em combater a seca no Nordeste, em desenvolver projetos que mudança as condições climáticas da região e a transposição do rio São Francisco era o projeto mais viável que se dispunha. O PT passou 13 anos construindo canais e prometendo entregar água na região. Nunca entregou um canal e somente no governo passado a água do Velho Chico chegou as torneiras enferrujadas do povo nordestino.
É sabido que havia a chamada “indústria da seca”. É sabido que os recursos destinados ao combate à seca no Nordeste nunca passaram de migalhas distribuídas na forma de cestas básicas, cadastros em frentes emergenciais, programas sociais puramente eleitoreiros. A presença dos carros pipas se somava ao cenário tétrico da sede e, entre 2018 e 2022 isso foi, absurdamente, reduzido, mas, recentemente, vi um senador aqui do estado pousando junto a uma comunidade que acabara de receber um carro pipa.
A economia mundial foi abalada, nos seus mais sólidos fundamentos, com a pandemia e todos acreditavam, baseados em projeções de agências de análise de risco, que o Brasil não sobreviveria. Nosso produto caiu menos do que economias maiores, nossa inflação se comportou mais rapidamente do que noutros países e o Brasil cresceu em meio aquela crise. Eu digo sempre: destruir é bem mais simples do que construir ou reconstruir. Com a pandemia eu acreditava que a gente levaria pelo menos uns 10 anos para recuperar empregos, renda, equilibrar contas públicas. Algumas coisas dessas chegaram mais rápido e, na minha cabeça, a política adotada pelo ministro Paulo Guedes, nitidamente, mostrava que era possível ter um Brasil diferente.
Agora a gente vê a destruição da economia gaúcha e diga-se: por absoluta negligência de Dilma Rousseff que teve a oportunidade de conhecer um projeto que favorecia o controle das enchentes no Rio Grande do Sul e não fez nada. O Rio Grande do Sul, diga-se de passagem, apresenta problemas econômicos desde o governo Yeda Crusis. Apesar dos recursos disponíveis, o descontrole fiscal do estado sempre foi palco de um cenário econômico duvidoso. Agora, a gravidade é muito maior.
Estamos falando de um sistema produtivo que perdeu seus insumos, suas instalações e sua capacidade de gerar receita. Estamos falando de um estado que não dispõe de recursos para quitar sua parcela de dívida com a União e, embora o governo tenhas suspendido a dívida por três anos, o governador já disse que esse prazo é insuficiente. E com razão. A economia se desenvolve mediante o consumo e para consumir é preciso renda, mas a fração maior da renda disponível é paga pelo setor público. Se pensarmos em setor público federal, tudo bem, mas aquilo que depender do estado e das prefeituras não é passível de contabilização.
O Rio Grande do Sul está experimentando o calor da solidariedade humana. De todas as regiões do país, chega ajuda humanitária, mas no curto e médio prazo, o estado precisa de recursos para reconstruir a infraestrutura e só pode contar com a União. Lógico que a iniciativa privada tem seus recursos próprios para retomar suas atividades, porém isso precisa ser feito de forma absolutamente planejada. Não adianta refazer uma planta e se ela não vai gerar receitas.
O pior de tudo isso é que essa catástrofe pega o país com descontrole nas contas públicas, com abandono das metas fiscais e com descredito por parte de investidor estrangeiro que tem, sistematicamente, retirado recursos da Bolsa de Valores. Em síntese: a chuva torrencial do Rio Grande do Sul, vai respingar no resto do país e acho bom refazermos projeções de crescimento econômico.
Assuero, só verdades e argumentos cirúrgicos em sua coluna de hoje.
Vou espalha o link pelo oco do mundo.
Valeu poeta
Caro. Maurício, infelizmente o espírito de mais Brasil e menos Brasília, foi pelo ralo a partir de primeiro de Janeiro de dois mil e vinte e três, Deus tenha piedade de todos nós.
Exatamente. Hoje vi uma matéria na qual se destaca que o déficit de lula já é igual ao da pandemia, sem pandemia