JESUS DE RITINHA DE MIÚDO

Só depois descobri que a visão
D’uma casa estranha, mas bonita
Com reboco e pintura esquisita
Há milênios é lar d’uma paixão.
Muito embora eu visse só um vão
Eu senti ser a parte d’um castelo
Que no orgasmo, no sonho paralelo
Visitei sobre ti, também gozando,
No momento que estava relembrando
Um instante estranho, porém belo.

Um baú, nossas roupas espalhadas
Sobre a pele, por tapete, lá no chão,
Duas piras acesas, um brasão
E uns quadros nas paredes rebocadas.
Outras coisas eu vi organizadas
Nesse mundo perdido, mas lembrado
Que eu trago em mim bem avivado
Cada vez que gozamos no presente
Um amor milenar tão envolvente
Nas visões que eu tenho do passado.

A foto que ilustra esta publicação foi criada por IA.

4 pensou em “DÉJÀ VU EM GOZO

  1. Sabe Poeta, eu também tenho um amor assim. Certa feita, escrevi para ele num raro momento:
    ‘Ele é de hoje e de sempre havido.
    Meu amor eterno e silencioso’.
    Adorei os seus versos, continue, não pare, Poeta. Rogo a Deus para dar-lhe vida longa e muitos déjà vus como esse.

  2. Meu caro poeta. Dizer que você se supera, e redundante , principalmente quando trata desses amores guardados, nunca esquecido. Lembrei de uma cena onde um par de olhos verdes, lá da adolescência, abalou meus pensamentos.

    • Arra!
      Assuero, “o olhar esmeralda marca mais que qualquer outro!”
      Assim me disse uma cigana um dia, após ler as linhas da minha mão. Das previsões que fez na leitura, ela não acertou absolutamente quase nada. Talvez tenha errado sobre o olhar esmeralda também.
      Será?

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