Eu não sou o tipo de bugre – caeté é minha nacionalidade, meu espírito e minha fome -, que fica bispando rabo de saia, a não ser que tenha interesse em conhece-lo, tanto no sentido fraterno, quanto bíblico, porém já a alguns dias venho fazendo algumas comparações entre as primeiras-damas, esse estrangeirismo importado lá dos Zistados Zunidos, ou seja, as mulheres dos presidentes que dão plantão naquele prédio horroroso chamado Palácio do Alvorada.
Aí, não dá para deixar de fazer comparações, indo desde os tempos de antanho até a atualidade, observando o comportamento dessas ditas senhoras que, por ter o privilégio de dormir com o mandatário do Executivo federal possuem aquele poder que no Vaticano chamam de gestões auriculares. Pela ordem, assim podemos apresentar:
1 – Scylla Médici – esposa do presidente Emílio Garrastazu Médici (1969-1974), passou pela presidência com elegância e discrição em relação ao marido. Conta-se que quando foi decorar a Granja do Riacho Fundo para passar os fins de semana, decorou a casa com móveis esquecido nos depósitos e almoxarifados do governo e não gastou um único centavo do dinheiro do povo para o seu bem-estar. Algumas más línguas dizem ainda que ela influenciou o presidente a modificar o trajeto de uma rodovia que iria ser asfaltada e passava próxima às terras do presidente, para que seus bens não fossem valorizados com essa obra. Apoiou projetos sociais e culturais e passou pela vida pública do marido, sem mesmo modificar o tipo de penteado que usava.
2 – Lucy Marcus Geisel – esposa do presidente Ernesto Geisel (1974-1979) como toda descendente de alemães possuía aquela figura de matrona europeia. De acordo com o presidente, Lucy Geisel foi o seu bastião quando este decidia tomar alguma medida, mas isso dentro do quarto de casal, e nem mesmo a filha Amália Lucy sabia o que eles conversavam. Dizem que ela tinha agorafobia, ou seja, medo de lugares com muita gente, e só viajava com o presidente se fosse protocolarmente indispensável. Vivia no palácio ensinando os servidores a fazer receitas que o marido gostava e todas as vezes que o presidente saia do banho, a roupa do dia já estava pronta. A mulher fazia a escolha da roupa.
3 – Dulce Figueiredo – esposa do presidente João Batista de Oliveira Figueiredo (1979-1985) era conhecida como pé de valsa e boa sambista, que gostava de baile e de festas. Afora isso, foi uma mulher elegante, bem vestida e recatada, quando estava em BrasILHA. Mais, não se sabe, dada à sua modéstia.
4 – Marly Sarney – esposa do presidente José Sarney (1985-1990), apesar de parecer uma vovó Donalda, agiu com prudência na condução da LBA. Senhora de sorriso fácil, sempre atrás de um par de óculos escuros, vivia a reboque do marido, de memória tão indigesta. Mesmo assim, não há um só que fale que agiu fora de um rigoroso decoro enquanto o marido comandou a nação.
5 – Rosane Malta Collor – ex-esposa de Fernando Collor de Mello (1990-1992), possivelmente foi o prelúdio de primeira-dama deslumbrada e cafona. Sua passagem por BrasILHA sempre remete àquela famosa cachoeira naquele covil, digo, casa da Dinda, onde se aprontavam as maiores safadezas contra o país. Não deixou lembranças, graças a Deus.
6 – Ruth Cardoso – ex-esposa do presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), prontamente uma das intelectuais mais brilhantes que passaram por aquele mausoléu chamado Alvorada. Um intelecto poderoso, uma professora de primeira linha, formadora de grandes nomes da antropologia nacional. Criou o Comunidade Solidária de maneira discreta, e abriu a possibilidade de uma rede de programas e benefícios sociais que perduram até hoje. Eu acho até que o marido se sentia meio encolhido diante do brilho intelectual daquela senhora.
7 – Marisa Letícia Silva – ex-esposa do presidente Luís Inácio Lula da Silva (2003-2010), dessa pode-se dizer que há casos cabeludos envolvendo fortuna vendendo Avon, além de ter desamassado a cara com plásticas e retoques durante o expediente de seu marido. Apesar desse caso, e da vez que mandou o povo enfiar as panelas no orifício fedegoso, nada mais se sabe sobre aquela senhora. Ah, tem os casos dos chifres aéreos que o marido lhe botava, mas isso são fofocas, estou apenas repetindo o que me contaram.
8 – Michelle Bolsonaro – esposa do presidente Jair Messias Bolsonaro (2019-2022), impactante pela beleza, pela cultura e sensibilidade, pode-se dizer que é uma mistura de Jaqueline Kennedy com Catherine Denevue. Seu trabalho com pessoas com deficiência, a atenção que dava às causas dessas pessoas a colocam no mesmo nível de uma Ruth Cardoso. Bonita, elegante, fluente e articulada, ainda revolve o pensamento de muito marmanjo, além de chamar a atenção pela figura longilínea e porte garboso. Uma senhora que este caeté admira.
9 – Rosangela Lula da Silva – esposa do atual presidente Luís Inácio Lula da Silva (2023-2026, se Deus tiver misericórdia de nós), que posso dizer? Todos os dias a vemos se meter onde não é chamada, dar declarações infantis, xingar seus desafetos, ser deslumbrada pelo luxo, gastar o dinheiro do pagador de imposto como se ele caísse do céu, exigir somente o melhor, o mais caro e o mais luxuoso para si, dar uma banana para o brasileiro, ser insensível, não ter empatia com ninguém, ser cafona (eu acho até que o estilista que a veste é o pior inimigo dela), ser possuída de uma inveja oceânica. E mais não digo porque quero chegar ao final de 2025 com o meu réu primário ainda intacto.
E, assim chegamos a esta digressão safada e sem sentido algum, só para vocês sentirem e pensarem em uma coisa: pela primeira dama se conjectura o que são os seus maridos. Alguém quer ser a primeira dama na minha taba caeté?
Já tive ocasião e mencionar aqui o rebaixamento geral que a esquerda causa quando chega ao poder. Após este texto genial de Roque Nunes, vejo que ao rebaixamento político, moral, ético e estético, a esquerda também acrescenta um grande rebaixamento “primeiro-damístico”.
Felizmente para a Rosangela, nosso Caeté não retrocedeu à Sarah Kubtschek, Eloá Quadros e Maria Tereza Goulart, seria muita covardia.
Meu caro Pablo, aí, nem caeté aguenta. Sou bugre do mato/no mato cresci, mas até para espinafrar a primeira gastadeira da nação, tem que ter um limite. Por isso não citei também a Yolanda Costa e Silva e Argentina Viana Castelo Branco. Aí seria esculhambação demais.