XICO COM X, BIZERRA COM I

São Paulo é bem ali, logo depois da curva da esperança, bem ‘pertin’ da esquina da felicidade. E o povo acreditava. Juntava os picuás, se atrepava no lombo de um pau de arara ou, os menos desfavorecidos, numa cadeira dura da Itapemerim e, abraçando a saudade, dava adeus aos que que ficavam. No matulão, um cacho maduro carregado de sonhos ‘de vez’. Muitos iam, poucos vinham. Mais valia carregar tijolo numa obra ou ser garçom no Bexiga que perambular no sertão sem nada o que fazer, com pouco o que comer, sem chuva pra dizer benza Deus! Era quando se ouviam, entre lágrimas, vários bença-mãe, bença-pai. Num tempo em que não havia o ZAP as conversas demoravam 15, 30 dias para chegar, num envelope com as bordas verde e amarela, cartas repletas de choro e saudade, dos cheiros, das comidas, das pessoas e até do sol inclemente, mas melhor que o frio sem cobertor das noites amargas paulistanas. Nada como uma Itapemerim em sentido inverso, um pau de arara de lá pra cá. Esse caminho de volta é mais perto que o de ida. Assim como os bença-mãe, bença-pai da volta são bem mais felizes que os da ida. As alegrias ou tristezas fazem ficar mais perto ou mais longe todas as distâncias.

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2 pensou em “DE LÁ PRA CÁ É MAIS PERTO

  1. Xico,

    Beleza esse DE LÁ PRA CÁ É MAIS PERTO.

    Quantas promessas se foram dos sítios para as cidades grandes? Quantos colegas meus não deixaram suas glebas de terra produtivas aqui, muitas vezes vendiam ou doavam por qualquer coisa para viverem a crueza da metrópole enlouquecida.

    O Êxodo interno do século vinte no Brasil precisa ser contado de forma coerente. Alguém precisa de se debruçar nesse tema.

    As grandes cidades no Brasil foram um verdadeiro campo de concentração à brasileira, e ninguém tinha ideia de sua maleza.

    Hoje tudo isso está refletido na maleza que é o Rio de Janeiro!

    Parabéns grande poeta.

  2. Pois é, seu Ciço. Quantos não tomavam sequer uma sopa e dormiam com fome, mas cheios de esperança de um outro tipo de ‘sopa’ que os levaria de volta. Nem sempre, ou quase nunca, o sonho se tornava real.

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