Mar alto! Ondas quebradas e vencidas
Num soluçar aflito, murmurado…
Voo de gaivotas, leve, imaculado,
Como neves nos píncaros nascidas!
Sol! Ave a tombar, asas já feridas,
Batendo ainda num arfar pausado…
Ó meu doce poente torturado
Rezo-te em mim, chorando, mãos erguidas!
Meu verso de Samain cheio de graça,
Inda não és clarão já és luar
Como um branco lilás que se desfaça!
Amor! Teu coração trago-o no peito…
Pulsa dentro de mim como este mar
Num beijo eterno, assim, nunca desfeito!…

Florbela Espanca, Vila Viçosa, Portugal (1894-1930)
Ao contrário daqui do Brasil, onde o Sol nasce no mar (leste), em Portugar no mar é o sol poente (oeste).
Este verso da Florbela retrata isso, de sua janela ela vê o Sol como uma ave a tombar com asas quebradas.
Sua alma suspira pelo Alferes que se foi.
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