Tá pra tu!…
Aos 10 anos fui severamente advertido por minha mãe porque estirei a língua para uma coleguinha da escola. Nos idos de 1940, o ato representava um palavrão silencioso, a “mímica fulminante”.
A propósito de palavrões, volto no tempo para contar a historinha do primeiro palavrão que minha língua soltou, aos cinco anos.
Tentando fazer uma engenhoca aproveitando uma caixa de madeira, arranjei uns pregos e um pequeno martelo e mandei brasa. Numa das marteladas, deixei o dedo no lugar da cabeça do prego e tome lapada!
Sem verter uma só lágrima, corri pra cozinha e perguntei a “Teteza”: “Tia, eu já posso chamar pinóia?” E com a complacência dela, achando a maior graça, mandei ver. Dei um grito de revolta: “Ora pinóia!!!”.
A língua – me parece – ainda não foi bem estudada pelos cronistas; apenas pelos antropólogos. Primeiramente que é o órgão do corpo humano da mais alta importância, face às suas múltiplas funções; E bota função nisso.
Kant afirmou: “Quando o vinho entra a língua se solta.” Bem, aí está o perigo, porque a língua não é o órgão pensante!
Há um bocado de tempo fiz parte de uma troça carnavalesca, formada por jornalistas, cujo título era: “Língua Ferina”. Nada mais próprio do que se qualificar a profissão com expressão tão mordaz.
Em suma poderemos afirmar que vai longe a lista da língua e seus derivados.

Simplesmente, sensacional, mestre!
“Língua ferina”
Adonis.
Ô pinóia, quanta saudade.
Hoje em dia jornalista não tem língua ferina.
A maioria deles tem bolso ferino, e fala através do bolso em favor de quem paga mais.
Cara Schirley,
Primeiramente faço documentar minha satisfação pela leitura de minhas notas.
Depois, comentar o quão saboroso é cconstatarr que despertei saudades imorredouras de algumas inbfâncias que já estavam bem guardadas; porém, esquecidas nas gavetas do tempo.
Foi época que marcou a chegada das inovações através da Tecnologia da Informação, e as Redes Sociais, ainda não haviam aparecido, para mudar desordenadamente os hábitos de ensino, ministrados pornossos pais, causando esstragos em procedimentos inbfantis, inocentes, legado de nossos antecedentes colaterais.
Saiba que meu mestre de crônicas, o Prof. Nilo Pereira (Jornal do Commercio do Recife), costumava dizer:
“O comentário do leitor é a melhor paga pelo que escrevemos.”
Vou mais além, paga bem mais valiosa é quando o leitor tem a gentileza de se comunicar com o autor, para com ele festejar ideias e despertar momentos.
Gratíssimo por seu comentário!
Ora pinóia!… Já ia me esquecendo de sugerir que v. poderá rever outras crônicas teclando, para encontrar, ao lado direito da capa do nosso jornal, nossas publicações anteriores.
Mas, aproveitando o embalo, poderei lhe remeter, a título de cortezia, a crônica que publicarei no próximo sábado, tema que também faz referêcias a ditados de idos tempos.
Aqui não será posível imprimir a ilustração de capa, o resto segue.
Basta encaminhar para: santosce87esscritor@gmail.com.
Cordialmente,
Carlos Eduardo Carvalho dos Santos
CARLOS EDUARDO SANTOS – CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA
FILHO DA MÃE
Estando eu todo fagueiro, quase radiante, à espera de registro na Portaria de um hotel em Curitiba, quando pedi à moça para preencher, por mim, a Ficha de Hóspede.
Justifiquei que minha letra já estava “pra lá de Baghdad”; ou seja, um tanto trêmula, quase hieroglífica, dificuldade natural de quem está convivendo com os 90 anos de idade e os dedos já tremiam mais do que vara verde.
Holenka começou a registrar meus dados nas linhas do questionário, realçando sua bela caligrafia itálica, quase artística. Foi perguntando e fui informando. No quesito: Filiação, no entanto, solicitou apenas o nome de mamãe, ao que alertei:
Falta acrescentar o nome de meu pai!
Surpresa! A galega informou que não precisava. Porque nem constava no questionário. Em tons muito cordiais, discutimos e fui cientificado que naquele quesito não era mais exigida a definição paterna.
Quer dizer que sou só filho da mãe?
Chamou o gerente para dirimir a questão e entrar nos “explicativos”. Fui cientificado que pela legislação atual realmente não era mais exigido o nome do genitor.
Outro episódio curioso foi quando há poucos dias estive numa Emergência Médica e na prescrição dos medicamentos constava, na parte inicial da folha: Nome do paciente, data de nascimento e nome da mãe.
Deixei o consultório convicto que, estou mesmo, apenas, um filho da mãe. Meu pai perdeu a representatividade paternal.
Reporto-me, assim, ao vulgo, que representa um xingamento. “Filho da Mãe” tornou-se palavrão, porque, segundo Aurélio, historicamente, remete à figura do ilegítimo, do cabra considerado traiçoeiro, de origem incerta e desonrosa.
Com base na Teoria de Bastardia, em tempos antigos, a legitimidade de uma criança dependia do reconhecimento paterno. Por isso, ocorreu minha reação, não desejando ser um”filho da mãe”.
FIM – CE – 10.01;2026.