RODRIGO CONSTANTINO

Como votou cada deputado para retomar votação secreta na PEC da Imunidade

Após manobra regimental, Câmara reincorporou votação secreta na PEC da Imunidade. Veja como cada deputado votou

Okay, precisamos admitir: a PEC da blindagem ou da imunidade, assim chamada, é um projeto controverso, para dizer o mínimo. O ideal era acabar com o foro privilegiado, mas a PEC estende para líderes partidários o privilégio, por exemplo. Há outros problemas, apontados por gente séria como Deltan Dallagnol. Não é um projeto maravilhoso.

Mas, em política, raramente temos o ideal. E aqui mora o problema: hoje vivemos um estado de exceção em que um dos poderes, o Judiciário, atropela diariamente outro, o Legislativo. Logo, aprovar uma PEC que proteja de certa forma os parlamentares se tornou questão de sobrevivência da democracia.

Com todos os seus problemas – e são vários! – o Congresso é o poder que representa o povo. Por meio do voto, podemos “demitir” deputados e senadores, enquanto ministros supremos ficam blindados, por mais abusos que cometam. Analisar a PEC sem levar em conta esse contexto é um absurdo.

Tenho, ainda, um critério infalível: quando diante de algo polêmico, procuro ver como a turma que sempre esteve do lado errado está pensando. Ora, eis o pessoal que tem feito um escarcéu diante da PEC, condenando sua aprovação: PT, PSOL, Globo, Renan Calheiros, Caetano Veloso e Anitta. Precisa dizer mais alguma coisa?

Renan Calheiros chegou a dizer que a PEC pode transformar o Congresso em “refúgio de criminosos”. Sim, eles chegaram a esse nível de cara de pau! E eis o grande problema para todos que alertam para os riscos de impunidade com tal projeto: aponte um só político preso por corrupção! Esqueceram que até Sergio Cabral está solto?!

Logo, a impunidade para corruptos já é realidade em nosso país. Enquanto isso, parlamentares mais conservadores são perseguidos por ministros supremos. É isso que a PEC tenta resolver, ainda que de forma imperfeita. Veja o caso do voto em sigilo: em condições normais isso é um erro, pois queremos transparência dos nossos representantes; mas num estado de exceção pode ser a única maneira de proteger o congressista de retaliações supremas!

Não vivemos numa condição normal. Nossas instituições estão esgarçadas. Somente partindo dessa premissa podemos avaliar esta PEC e outras medidas propostas. E quando estiver na dúvida, lembre de verificar como PT e PSOL estão votando, considerando que estiveram do lado errado em todas as questões importantes até hoje…

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