LISBOA. Lembro conversas de livro que estou escrevendo (título da coluna). Hoje, apenas com jornalistas.
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ÁLVARO MAIA, chefe da secção Estrangeiro no Diário de Notícia, de Lisboa. Em 18/11/1922 morreu, na distante Paris, Marcel Proust, consagrado autor de À la recherche du temps perdu (Em busca do tempo perdido). De pneumonia, com só 51 anos, e logo enterrado no Père Lachaise. Dia seguinte, à noitinha, chega no jornal informação suscinta da agência Havas
– Morreu o romancista Marcel Proust, que obteve o prêmio Goncourt em 1919 (não constava da notícia, mas foi por seu romance À sombra das raparigas em flor).
Ocorre que Proust era, na época, um desconhecido em Portugal. E o jornalista Acúrcio Pereira, famoso por seu “temperamento irascível” (palavras do mestre António Valdemar, no artigo Proust em Portugal), acreditou tratar-se de Marcel Prévost (autor de Demi-vierges et les anges gardiens). Decidindo os dois, ele e Maia, noticiar a morte de Prévost. Para isso, transcreveram o texto da agência com um complemento
– Onde se lê Proust, deve-se ler Prévost. Se assim é, a França perde um dos seus romancistas mais estimados.
Na manhã seguinte, os telégrafos confirmaram a morte de Proust. Notícia boa, para Prévost, que morreria só em 1941. E Álvaro Maia consertou a rata da véspera dando, em primeira página, essa manchete
– Marcel Prévost não morreu.
Mais, no meio do jornal, modesta referência ao pobre do Proust.
– O falecido romancista tem um estilo que se embrulha e ninguém entende.
• Por essas e outras dizia Fernando Pessoa (Álvaro de Campos, Manifesto), da imprensa de sua época,
– Ora porra!
Então a imprensa portuguesa é
que é a imprensa portuguesa?
Então é esta merda que temos
que beber com os olhos?
Filhos da puta! Não, que nem
há puta que os parisse.
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BARBOSA LIMA SOBRINHO, presidente da ABI. Sempre que nos encontrávamos
– Como vai?, dr. Barbosa.
E ele, invariavelmente,
– Como um velho (morreu com 103 anos), meu filho, desejando que todos os órgãos envelheçam ao mesmo tempo.
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CARLOS ALBERTO SARDENBERG, jornalista. No Clube dos Ingleses, depois do tênis, os jogadores conversavam. Ele
– O homem precisa de mulher para tudo.
E Betina, do grupo, completou
– Até pra ser corno.
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DUDA GUENNES, filósofo. Inauguração do supermercado Pingo Doce, no Rato, pertinho de seu apartamento na Rua da Alegria. Foi cobrir o evento, como jornalista de A Bola, e o diretor do estabelecimento
– O que está a achar?
– Muito bom. Porque tem tudo que não preciso.
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JOÃO ALBERTO SOBRAL, cronista. O fotógrafo Pedro Luiz, por sugestão de João Alberto, bateu retrato de certa dama. Quando foi entregar, dia seguinte, soube que havia morrido na noite anterior. A história passou a ser conhecida, nos jornais. Certo dia, chega cidadão e pede
– Quero lhe contratar para tirar uma foto de minha sogra.
• Por falar em sogras o jornal PODER, edição de 27/04/2022, deu manchete sobre Francisco
– O Papa elogia as sogras.
Mais, por baixo, esse comentário
– É porque ele nunca teve uma.
• O que faz lembrar Cantoria de Pé de Parede em que o grande Louro Branco recebeu mote, Na casa que sogra mora/ Não tem um genro feliz, e cantou assim
– Minha sogra sem respaldo
Diz nos pensamentos seus
Que meus filhos não são meus
Que tem um do Lourinaldo.
Que o primeiro é de Geraldo
E o segundo é de Diniz.
Será meu Deus que eu não fiz
Um menino até agora?
Na casa que sogra mora
Não tem um genro feliz!
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JOSÉ NÊUMANNE PINTO, jornalista. Chegou para conversar com o paraibano (como ele) José Amer… Aqui um problema, que todos se referem a esse grande escritor apenas como Zé 3 Pancadas. Dado que pronunciar seu nome completo é prenúncio de catástrofe. Toda gente conhece a praga. Se o amigo leitor ainda não sabe de quem se trata basta procurar, na internet, quem seria o autor de A bagaceira. Nêumanne
‒ Como nasceu essa relação entre você e o azar?
‒ Acho até graça. O avião caiu no mar e eu já quase cego, e aleijado, fiquei sentadinho na asa. Enquanto Antenor Navarro, campeão de natação, afundou. E dizem, ainda, que sou azarado…
‒ Não, Zé, dizem que você dá é azar nos outros.
‒ Aí pode ser.
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MARIA LUIZA BORGES, jornalista. No Vaticano, sala Paulo VI, ela e a mãe, a grande Mariêta Borges (em cadeira de rodas). Tudo para ver Francisco. Um camerlengo informou que os cadeirantes iriam para a primeira fila; e seus acompanhantes, que receberiam laços vermelhos, ficariam ao lado. Dando-se que notório Deputado Estadual de Pernambuco, então presidente da Assembleia Legislativa, apossou-se da cadeira de Mariêta e disparou, até lá, na esperança de bater foto com o papa. Foi quando Maria Luiza saiu correndo atrás dele, aos berros,
– Devolva minha mãe!, devolva minha mãe!.
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NELSON CUNHA, jornalista. No teatro Aliança Francesa, Raul Cortez interpretava um vip de São Paulo. Sentado em poltrona, o ator pegou o Estadão e disse
– Vou ver quem morreu.
Foi quando alguém junto de Nelson, na plateia, gritou
– Hoje não morreu ninguém.
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OLBIANO SILVEIRA, jornalista e editor. Seu avô, Vicente Januário, tinha uma bodega na periferia de Mossoró (RGN), especializada em fumo de rolo. Certo dia chegou por lá dona Etelvina, cliente antiga,
– Seu Vicente, o sinhô tem fumo dos forte?
O velho entregou uma nasca, para ela provar.
– Descurpe, tem mais forte?
Só que, depois de mastigar, soltou um pum daqueles históricos, monumentais. Como se não fosse a responsável, continuou
– Será que tem ainda mais forte?
– Não, senhora, o de cagar já acabou.
Após merecidas férias retomamos as boas conversas de 1/2 minuto
Histórias tão engraçadas
Impregnadas de humor
Delicioso sabor
Pequenas-Grandes ‘tiradas’
No JC são plantadas
A BESTA é outro terreiro
Bate-Papo verdadeiro
Resenhas que eu escuto
Conversas de ‘mei’ minuto
Prazeres de um dia inteiro
XB
Obrigado, amigos. E Xico agora virando cantador. Pode?