JOSÉ PAULO CAVALCANTI - PENSO, LOGO INSISTO

Estamos bem perto do fim, volto a dizer. O livro já está pronto. É das últimas colunas. E ando já com saudades, ao perder o encontro mensal com o leitor neste espaço.

Dr. ARMANDO MONTEIRO FILHO, sogro. Usina Cucau. Tinha 5 anos e estava com Henry Ralph Trenchard Shorto, diretor da Mendes Lima – uma das mais importantes empresas açucareiras da época. Foi quando apareceu um trem. O primeiro de sua vida. E o maquinista com macacão vistoso, pendurado na cabine de comando, veio apitando aquele monstro de ferro e aço. Para espanto do menino. Seu Shorto perguntou

– Quando crescer, vai querer ser maquinista?

E ele, antecipando seu futuro,

– Não, vou ser dono de trem.

JOSÉ PAULO NETO, filho. Dedé começou a pilotar carros no autódromo de Caruaru. Ano seguinte acabou campeão, ganhando todas as corridas. Depois foi para a Fórmula 3, em Donington Park (Inglaterra), mas essa é outra história. Certo é que antes de uma corrida pernambucana dona Lectícia, preocupada, lhe deu conselho que acabou na primeira página do Jornal do Commercio

– Meu filho, corra devagar.

JOSÉ ROBERTO CAVALCANTI, Zeca, irmão. Lembrou diálogo de Brecht em A vida de Galileu (escrita em 1937 mas publicada só em 1943) que começa com fala de personagem que trabalhava com Galileu Galilei, Andrea Sarti, filho de uma governanta

– Infeliz do povo que precisa de herói.

Ao que seu mestre retruca

– Não, Andrea, infeliz é o povo que não tem herói.

Pensei no Brasil e completei

– Não, Zeca, verdadeiramente infeliz é o povo que precisa e não tem heróis.

* * *

Tinha que levar a filha, todas as noites, para o ballet; e esperava lá duas horas, lendo livros, até voltar para casa com ela. A dona da academia sugeriu que participasse das aulas, seria um bom exercício, tanto que os bailarinos saíam de lá suados. E completou

‒ Tem ainda uma vantagem, grande, que é o direito a uma Carteira de Estudante. Vai poder pagar meia entrada, nos cinemas.

‒ Na carteira diz qual o curso?

‒ Sim, ballet.

‒ Sai nela minha foto?

‒ Não, só o nome.

‒ Então me inscreva.

‒ Diga o nome completo, para informar à UNE.

‒ Pois não, José Paulo Cavalcanti Filho. Pode?

Só mesmo Zeca.

LUCIANA MONTEIRO CAVALCANTI, filha. No telefone, voz de mulher desesperada

– Pai, pai, vão me matar. Eles querem dinheiro.

– Raquel, minha filha, é você?

– Sou eu, pai, me salve.

– Seja feliz, querida, e desliguei.

O cliente, na minha frente,

– Era sua filha?

– Não, era um ladrão.

Só para lembrar ao amigo leitor, minha filha se chama Luciana.

Dona MARIA LIA, mãe. Quando fez 40 anos, mandei bilhete

– Minha mãe, não é por nada não mas a IDA começa aos 40.

Sem resposta. Mas, quando fez 80, seu motorista chegou bem cedinho com esse recado

– Meu filho, esperei 40 anos para lhe responder. A IDA pode ser que comece aos 40. Mas a VIDA começa, mesmo, é aos 80.

SERGINHO, filho, advogado e Master on Law (Cyberlaw) por Harvard. Fez operação, dessas para emagrecer, e seu motorista Marcelo preocupado. Segue as mensagens que trocaram, pelo zap,

‒ Patrão, saiu tudo bem né?

‒ Foi tudo ótimo.

‒ Graças a Deus, que meu emprego está garantido.

SOBRE AS SOGRAS. Por sugestão do cronista João Alberto Sobral, o fotógrafo Pedro Luiz bateu retrato de certa dama. Quando foi entregar, soube que havia falecido na noite anterior. A história passou a ser conhecida, nas redações. Certo dia, chega cidadão e pede

– Quero lhe contratar para tirar uma foto de minha sogra.

* * *

O jornal PODER, edição de 27/04/2022, deu manchete sobre Francisco

– O Papa elogia as sogras.

Mais, por baixo, esse comentário do jornalista Tonico Magalhães

– É porque ele nunca teve uma.

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