JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

As estrelas, quantas serão?

Ontem, após executar algumas tarefas domésticas e tomar uma boa chuveirada, daquelas de deixar a água cair com vontade e sem pensar em desperdício, vesti a parte inferior da roupa de dormir, coloquei a espreguiçadeira no alpendre e fui conversar com as estrelas.

Uma conversa daquelas “olhando no olho”. Sem titubeio.

Prometi a elas – as estrelas – que contaria um sem número delas até cansar. Quando cansasse, fisgaria a última contada e a chamaria para a tal conversa.

E foi assim. Contei centenas, milhares, e até acho que fiquei próximo do milhão.

Parei, quando tive a impressão que uma daquelas estrelas já havia sido contada.

– Ei, será que já contei você? Perguntei.

– Provavelmente não. É que, de longe, e daí de onde você está, todas parecemos iguais. Me informou a estrela…. Maria? Lourdes? Dalva?

– E quantas são vocês, daqui de onde eu posso ver? Indaguei.

– Somos tantas e outras tantas sequer podem ser vistas sem equipamentos especiais. Mas, são facilmente vistas apenas com a imaginação. Segredos do nosso firmamento, que está anos luz distante de vocês.

– Como assim, com a imaginação? Indaguei de novo.

– Assim, veja: feche os olhos! Bem fechados! Agora, imagine que está vendo uma de nós. A mais bela que você pretender ver. Fechou os olhos?

– Fechei! Respondi.

– Feche os olhos e volte o pensamento para os céus. Você vai conseguir ver, e repito, sem equipamento especial.

– Meus olhos estão fechados. O que devo fazer agora? Perguntei.

– Veja aquela que não se move. Ela tem um nome. Você a está vendo?

– Estou. Ela parece ser familiar. Respondi.

– Ela é realmente familiar. É uma pessoa da sua família terrena que não está mais entre vocês, claro. Me informou a estrela…. Dalva!

E era realmente a minha estrela materna. Fixei o olhar e matei a saudade. Quase fiz uma pergunta, mas ela parecia muito distante e, mais ainda, parecia estar muito ocupada, cuidando de mais um de nós. Foi quando resolvi aprofundar a conversa olho no olho.

Resolvi perguntar: – estrela, você tem uma liderança? Alguém que conduza vocês a alguma galáxia, a algum lugar? Perguntei, como Repórter que fui.

– Temos sim! Vocês que não tem!!! Respondeu a estrela Dalva com certo ar de deboche.

– Temos. Com certeza temos. Afirmei.

– Não. Vocês não têm liderança. Se vocês tivessem uma liderança, as coisas aí não estariam como estão.

– Mas, aquele que… Fui interrompido pela estrela Dalva.

– Não. Aquele não é líder. Ele nunca sabe de nada. Não consegue sequer contar dez nos dedos das duas mãos! Afirmou a estrela.

Fiquei atônito com a precisão da afirmação da estrela, e refletindo com o cadarço que segura o pijama, fiquei mais aflito.

É. Quem eu pensava que era líder, realmente não sabe de nada, e jamais vai poder contar até dez nos dedos das duas mãos.

– E, estrela, o que devemos fazer agora, se nem líder temos? Perguntei.

– Vocês devem se preparar melhor. Vem chumbo grosso por aí, e não é nenhuma chuva de meteoros.

É. As estrelas sabem das coisas. Afinal, são de outro mundo.

“Olhar o céu, as nuvens, a lua e as estrelas realmente faz com que eu me sinta calmo e esperançoso”.

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