
Flávio Bolsonaro foi para os Estados Unidos com a família, em operação que teria sido montada pelo governo americano
Muita gente se pergunta por que está havendo essa perseguição contra Flávio Bolsonaro a ponto de ele ter de fugir do país e pedir asilo nos Estados Unidos. Há dois inquéritos contra ele – Flávio não é réu em nenhum deles. Um é para saber do dinheiro que foi para o filme sobre Jair Bolsonaro; não era dinheiro público, nem de estatal, era dinheiro de uma empresa privada e foi tudo feito no papel, com contrato. Isso seria de interesse de Daniel Vorcaro, não do governo brasileiro; eu só entenderia se Vorcaro estivesse movendo uma ação, queixando-se de que o dinheiro dado para patrocinar o filme não foi usado na produção. A outra investigação está correndo porque Flávio é colega de advocacia e amigo de Willer Tomaz, que está sendo investigado por lavagem de dinheiro com loterias. Não sei se essa amizade é algo que contamina – para mim, o que contamina é ter um contrato de R$ 130 milhões com Vorcaro.
Foi muito rápido e bem-sucedido o planejamento da ida de Flávio para os Estados Unidos. Ele conseguiu sair com a mulher e as duas filhas, parecia judeu fugindo da Alemanha em tempos de Hitler. Usou o passaporte italiano, já que o brasileiro já tinha sido cancelado, e pediu asilo nos EUA como perseguido político.
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China quer estreitar laços com o Brasil; no que eles estão de olho?
Lula, vitorioso, recebeu uma mensagem de Xi Jinping. Falou na “construção de uma comunidade China-Brasil com futuro compartilhado” e que “a natureza global, estratégica e de longo prazo na relação dos dois países tornou-se mais proeminente, servindo como modelo de unidade e cooperação entre o Sul Global”. Interessante: a China está no Hemisfério Norte, e está interessada no Sul Global. Alguns amigos estrangeiros me perguntam se a China está fazendo com o Brasil aquilo que faz na Ásia com os países pequenos. O Brasil está superendividado, a China pode comprar papéis da dívida pública brasileira, e depois fica com o Brasil na mão. Então, pode oferecer um negócio envolvendo território ou terras raras. É possível: o chinês sempre pensa no longuíssimo prazo; o Império do Meio planeja não 50 anos à frente, mas milênios à frente.
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O Paraguai também saiu ganhando com a vitória de Lula
Dizem que Flávio, antes de ir para os Estados Unidos, cruzou a Ponte Tancredo Neves, sobre o Rio Iguaçu, e foi para a província de Misiones, na Argentina. Fica em Foz do Iguaçu também, mas não vai até o Paraguai. A ponte que leva ao Paraguai é a Ponte de Amizade, e muitas empresas brasileiras estão cruzando essa ponte para se estabelecer lá, enquanto aqui no Brasil as empresas vão definhando. O Magazine Luiza perdeu quase 60% em valor de mercado na segunda-feira, recuperou apenas uma parte disso na terça. A bolsa continua caindo.
Temos muitas notícias de empresas brasileiras que estão de mudança para o Paraguai, dando emprego aos paraguaios, exportando, levando divisas para o Paraguai, e pagando um mínimo de imposto. Agora, a Araico, uma empresa paraguaia, assinou um acordo com a norte-americana Crusoe para a construção de um enorme data center no Paraguai. Data centers consomem muita muita energia, e vão aproveitar a energia que sobra de Itaipu para o Paraguai. Com isso, eles vão prestar serviços para o continente inteiro, inclusive os Estados Unidos. Os EUA têm mais de 5 mil data centers; o Brasil tem 218. Para comparar, a Índia tem 305 e a Alemanha, 533.
O Paraguai deve estar agradecendo aos brasileiros pelo resultado da eleição, porque ainda mais empresas devem se mudar para lá. Eu vejo inclusive as pessoas conversando sobre migrar, porque o Paraguai fica pertinho e tem melhores condições de segurança. Aqui temos insegurança jurídica, insegurança fiscal, insegurança tributária, insegurança pública. O Paraguai está resolvendo esse problema por lá. É uma pena, porque o Brasil tem um potencial enorme, mas potencial não se torna real se não houver uma boa administração estratégica.