RODRIGO CONSTANTINO

Após Romeu Zema defender ampliar o trabalho a adolescentes, esquerda associa fala a incentivo ao trabalho infantil

Dois meninos, com cerca de 10 a 12 anos no máximo, bateram à minha porta e deixaram um folder anunciando o serviço de limpeza de carros e latas de lixo. Aqui nos Estados Unidos é muito comum a garotada trabalhar com isso, ou montar uma barraca de limonada na esquina. Liguei para eles e os “contratei” para lavar dois carros na sexta-feira, o Dia Internacional do Trabalho.

Os garotos ficaram três horas lavando os carros. Cobraram cinquenta dólares pelo serviço, incluindo a limpeza do interior. Ao término, descobri que eu era o primeiro cliente deles, e paguei o dobro: uma nota de cem dólares. Eles não conseguiam esconder a cara de felicidade! Eu disse que era um incentivo pelo trabalho duro e o empreendedorismo, e depois dei uma lição de moral semelhante ao meu filho, de oito anos.

Os americanos valorizam muito o trabalho. É comum filho de gente rica trabalhar como caixa de supermercado, por exemplo. Aqui se pergunta quanto dinheiro você faz por ano, não quanto você ganha. Todos entendem que dinheiro não é um presente dos céus, do estado ou algo que brota do solo, mas sim algo que você precisa correr atrás, oferecendo valor em troca, pela ótica dos consumidores. E no final sempre o agradecimento: “Obrigado pela escolha”; “obrigado por fazer negócio comigo” etc.

Não há, nos Estados Unidos, décimo-terceiro salário, férias remuneradas, vale-transporte, vale-refeição ou vale-alimentação. Uma parcela ínfima dos trabalhadores é sindicalizada e não há qualquer obrigatoriedade de pagar por sindicatos. O mercado de trabalho é bem mais livre e dinâmico, as leis são bem mais flexíveis. E o trabalhador médio americano faz cinco a seis vezes mais do que o trabalhador médio brasileiro, repleto de regalias e “conquistas legais”.

O ex-governador Romeu Zema aproveitou o feriado para defender a redução da idade mínima para assinar carteira, lembrando que ele mesmo começou muito cedo a trabalhar. Zema está certo. O trabalho enobrece, cria senso de propósito, dá responsabilidade e dignidade. Muito melhor trabalhar cedo em algo decente do que ficar de bobeira nos jogos eletrônicos ou virar “aviãozinho” de traficante. Barão de Mauá, o maior empresário do Império, começou a trabalhar aos nove anos!

Essa visão de quem valoriza de verdade o trabalho contrasta com aquela marxista, que enxerga no trabalho uma “exploração capitalista” e que deposita no estado e nos sindicatos o poder para “proteger” o trabalhador. São os mesmos que aplaudem um assistencialismo hipertrofiado que faz com que, em várias cidades nordestinas, haja mais gente dependendo do estado do que com carteira de trabalho assinada. É o antigo voto de cabresto, já que a dependência cria eleitores apavorados com o risco de perder essas benesses.

Lula tenta explorar justamente essa mentalidade com seu populismo, com a propaganda pelo fim da jornada 6×1. Enquanto isso, Zema afirma que não vai permitir marmanjo vivendo à custa de mesada estatal. No Brasil, infelizmente, o discurso fácil da esquerda ainda rende votos, pois muita gente enxerga o trabalho como um fardo intolerável, como “exploração”, buscando um atalho para uma vida mais mansa – ainda que ao custo da perda da liberdade.

O ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), se declarou como “vermelho” ao afirmar que “nós, vermelhos, temos causa”. A afirmação foi feita durante um evento institucional sobre a Justiça do Trabalho, realizado em 1º de maio.

“Nós, vermelhos, temos causa. Não temos interesse. E que fique bem claro isso, para quem fica divulgando isso aqui no país. Nós temos uma causa. E eles que se incomodem com a nossa causa. Porque nós vamos estar lá lutando o tempo todo na defesa da nossa instituição, porque as pessoas vulneráveis desse país precisam de nós. E a Constituição nos dá o poder para isso”, afirmou.

Segundo o ministro, a Justiça do Trabalho não deveria se limitar à aplicação estrita da lei, mas atuar como instrumento de contenção ao que classificou como “capitalismo selvagem e desenfreado”, além de exercer papel regulador nas relações entre empresas e trabalhadores. Ele se enxerga como alguém que enfrenta os “defensores dos interesses econômicos”.

Esse tipo de mentalidade é o grande problema em nosso país. Aliás, a própria Justiça do Trabalho é uma espécie de jabuticaba, algo inexistente em países mais desenvolvidos. Os “juízes” trabalhistas vivem tomando decisões com base nesse conceito marxista de que trabalhadores são vítimas de seus patrões, e isso certamente cria um ambiente desfavorável ao empreendedorismo no Brasil – lembrando que são os empreendedores que criam riqueza e trabalho. Passou da hora de mudar essa cultura. Zema está de parabéns por ter mexido nesse vespeiro!

3 pensou em “COMO VALORIZAR O TRABALHO DE VERDADE

  1. O Zema resolveu causar para ganhar mídia.

    Ontem resolveu falar em separar o salário mínimo dos aposentados do SM de quem trabalha.

    Privatização total.

    Falou também em cortar os benefícios sociais.

    São causas que merecem uma reflexão maior da sociedade.

    Não deu um pio sobre congelar os salários do funcionalismo e resgatar o teto constitucional.

    Não explicou que aumentou o salário dele em MG em 285%.

    Zema é do sistema. Ainda que seja vice do Flávio, é sistema.

  2. O TST e TRTs são responsáveis pelo fechamento de milhares de empresas e desempregar milhões de trabalhadores.
    Enquanto isso os marajás infestam os palácios com as maiores mordomias e penduricalhos possíveis à custa dos impostos, pagos pelas empresas e também pelos funcionários.
    São verdadeiros canalhas usurpando os empresários e também o povo em geral pelos inúmeros impostos, taxas, contribuições, tributos, etc.,etc.,etc..

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