CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

ANO NOVO?

Que de novo, efetivamente, acontecerá ao longo dos próximos 365 dias? Será válido admitir a existência de ano velho? De ano novo? De tempo, enfim?

Há quem diga que o tempo não existe. Logo, persiste a suspeita de que, em contrapartida, o ano não existe. Nem o novo nem o velho. Nem os meses. Nem as semanas. Nem os dias. Nem as noites. Nem as horas com seus minutos e seus segundos. Que lástima! Não existe nada, então?

Para não ir tão longe, atualmente a origem de todas as coisas, ou seja, do Universo, decorreu de uma inesperada explosão, fenômeno extraordinário chamado Big Bang.

Não vou indagar sobre quem, quando, onde e por que resolveram colocar no espaço sideral essa monumental matéria sob situação tão explosiva. Nem me interessa saber onde fica esse depósito que guardava (e ainda nos dias atuais?) tanta matéria bruta capaz de explodir?

Foi exatamente a partir do instante dessa explosão que o Universo começou a se expandir e não parou mais, afirmam os astrônomos. Esse crescimento desmedido, pelo visto, de repente, tornou-se algo eterno. Nesse lapso de tempo formaram-se quantidades infinitas de galáxias com suas estrelas, seus planetas e seus satélites.

Sobre esse ponto prometo não criar aqui nenhuma polêmica, porque não vou indagar sobre como, afinal, começou tudo isso que vemos ao nosso redor. Não se trata da percepção do que posso ver com os meus olhos limitados, mas pressentir a existência do próprio infinito, aquilo que abarca tudo, porém, esbarra na impossibilidade de compreendê-lo ou de acondicioná-lo dentro de minha imaginação.

Agora, surge a questão insolúvel: se não ocorreu o início do Universo, por que cogitar de seu fim?

A complexa teoria do Big Bang, que parecia irrefutável no meio científico, eis que, recentemente, foi posta em dúvida. Se, de fato, não prosperar a ideia de que o Universo, tal e qual conhecemos, começou com uma explosão, tudo, então, poderá voltar à estaca zero.

Essa possibilidade já começou a gerar controvérsias. Antes de morrer, o genial físico inglês Stephen Hawking, declarou que a alardeada “verdade” sobre a origem do Universo, de fato, talvez nunca tenha existido e, então, a partir de agora “poderá alterar tudo que entendemos sobre o tema”.

Ao formular essa nova e surpreendente teoria, Hawking, que, então, trabalhava com o professor Thomas Hertog, da Universidade KU Leuven, da Bélgica, prestou ampla entrevista ao Journal of High Energy Physics, na qual afirmou que o Universo, longe de ter nascido dessa explosão inexplicável, seria uma coisa bem mais simples e, pasmem!, que ele teria fim. O Universo seria, portanto, algo finito.

As conclusões dessa pesquisa, apoiadas no prestígio de Stephen Hawking, considerado gênio da física e da cosmologia, põem em dúvida a teoria do Big Bang. Caso suas pesquisas sejam confirmadas, será afastada para sempre a ideia de que aquele crescimento eterno ou permanente expansão do Universo está errado. A propósito, o físico inglês declarou: “Prevemos que o nosso universo, nas maiores escalas, é razoavelmente simples e globalmente finito. Portanto, não é uma estrutura fractal”.

Como geralmente acontece no mundo científico, os temas abordados numa perspectiva teórica carecem de confirmação mediante novas investigações. Apesar disso, insistiu Stephen Hawking na suposição de que o Universo é “uma categoria muito menor integrante de possíveis universos”. Quando essa nova teoria for confirmada, sem dúvida, surgirão profundas implicações na concepção do novo paradigma a ser definido para o chamado multiverso.

Deixemos, por fim, a abstrusa ideia de que o Universo, concebido nos dias atuais, em breve, será outra coisa. Assim, mesmo diante desse impasse, o ano correrá o risco de ser apenas uma contagem fictícia carimbada de Velho ou de Novo. Continuará a ser uma convenção aceita e medida pela tensionada mola mecânica ou pela energia acumulada numa bateria que aciona os pulsos dos ponteiros dos relógios. Prosseguirá sendo convenção também para quem envelhece ou conta os anos agasalhados sobre seus ombros. Em qualquer dos casos, a verdade é que envelheceremos não por causa dos ciclos dos ponteiros dos relógios, mas, sobretudo, porque nossos cabelos ficam brancos e, a exemplo dos sinos das igrejas e das catedrais, nos convocam à meditação.

5 pensou em “CLAUDIO AGUIAR – RIO DE JANEIRO – RJ”

  1. 78 bilhões de anos-luz.
    Esta é o limite mínimo para o tamanho de todo o universo, baseado na distância atual estimada entre pontos que podemos ver a lados opostos da radiação cósmica de fundo; logo, representa o diâmetro do espaço formado pela radiação cósmica de fundo. A distância apropriada – a distância medida em um momento específico, incluindo o presente – entre a Terra e a borda do Universo observável é de 46 bilhões de anos-luz (14 bilhões de parsecs), fazendo com que o diâmetro do Universo observável seja de cerca de 91 bilhões anos-luz (28 × 109 pc).
    Nas duas últimas décadas, tem sido amplamente aceito que o universo está se expandindo em ritmo acelerado, impulsionado por uma força invisível conhecida como energia escura. Cientistas propuseram, em 2018, um modelo com energia escura e nosso Universo flutua em uma bolha expansiva em uma dimensão extra.

  2. Einstein, o homem da Teoria da Relatividade, certo dia afirmou que apenas duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Há fundadas dívidas sobre a infinitude do universo.

  3. Muito profundo, poético e filosófico, a forma do insigne escritor cinzelou com costumeira maestria, de um tema tão instigante.

    Atribui-se a Marcel Proust, a disseminação da frase “o tempo é o senhor da razão”, ditado tão massificado por esse mundo afora.

    Ora, é consabido que a evolução da ciência ocorre com as dúvidas. Pois sempre uma tese, teoria científica ou preceito filosófico, sofrerá a devida mutação com o aprimoramento dos estudos das dúvidas que dela surgiram. A ciência estática não é ciência. Aquela “certeza” científica atual, adveio de inúmeros novos experimentos que modificam as concepções anteriores e que, fatalmente sofrerá alguma alteração.

    Uma famosa revista eletrônica, a Edge, sempre lança anualmente uma questão dirigidas a centenas de expertos de áreas distintas com o objetivo de colher tendências. A de 2011, a pergunta e as respostas foram marcantes: “Qual conceito científico poderia aprimorar a ferramenta cognitiva de uma pessoa?”

    Pesquisadores, pensadores e artistas, disseram:
    A importância dos erros, as incertezas e as dúvidas, são o que move a evolução cientifica como um todo. Destacaram a importância de esses aspectos inerentes ao empreendimento científico.

    O tempo é o senhor da razão.

  4. Segundo alguns novos cientistas, ” O tempo e o espaço ” não existem, são ficção
    criadas pela nossa mente , que com teimosia criou este mundo dito material,
    ]que também é considerado por grande parte dos cientistas atuais, como ilusório,
    uma Matrix que nos envolve e nos aprisiona e nos ilude.
    Sou estudante do Budismo oriental, cuja filosofia prega que o nosso mundo é apenas mental, isto dito também por muitos cientistas atuais que se dedicam
    a um dia provar que com certeza de 99,9% do mundo , o universo inclusive,
    é apenas um pensamento, dando como alguns alegam, que aquilo que vemos, só existe enquanto tem alguém para testemunhar a sua existência, e se não houver
    nenhuma testemunha ocular, auditiva e sensorial, nada existe, pois tudo
    é ” real ” por causa da nossa mente criadora e analitica.

    A minha mente aceita e celebra o pensamento do grande fisico Stephen Hawking,
    quando declara que o universo é um paradigma de algo talvez apenas
    ilusório, sem principio nem fim, cuja existência está dentro dos nossos conceitos
    de avaliação mental e indefinido.
    O nosso JBF começou o ano com grande pompa, pois este artigo de hoje
    é de uma qualidade digno das maiores revistas cientificas atuais .

    Parabéns ao autor do texto, Claudio Aguiar.

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