MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

Recebi essa semana uma mensagem num grupo de amigos, professores, um cartaz em duas colunas. De um lado o que era ciência e seus atributos, dentre os quais, a investigação séria, os resultados doa a quem doer, em suma: a busca de respostas pela investigação. Do outro lado a pseudociência, dentre os principais argumentos que ela se respalda no resultado, ou seja, parte do resultado para a investigação, no caminho inverso da lógica, partindo da tese para as hipóteses.

De cara vi o viés político e fui logo deixando claro que a pseudociência foi cunhada no Brasil, a partir de 2020, por conta do governo atual. Com toda franqueza, a expressão mais babaca que eu conheço é “negacionista”. Desde que o mundo é mundo, uma penca de gente nunca acreditou na existência de Deus e estes caras nunca foram chamados de negacionistas. São chamados cientistas. Mas, voltando ao foco da questão, apresentei vários argumentos para mostrar que pseudociência não existe.

O primeiro é que nenhum pseudocientista publica artigos cujos dados sejam falsos ou os resultados sejam errados, porque quando se escreve um artigo (paper) para uma revista, esse trabalho é encaminhado a pareceristas que vão analisar a coerência do trabalho, a metodologia, os resultados, a possibilidade de reaplicação. A CAPES fornece uma relação de revistas com a classificação por área. Por exemplo: as melhores revistas são A1, A2, B1, B2. Uma revista pode ter um “qualis” A1, em Economia e A2 em contábeis. As demais revistas, C, D, já não são tão procuradas porque pesam menos, pontuam menos nos currículos dos autores e na avaliação do programa.

A segunda questão é que pseudociência não consegue recursos para financiar pesquisas falsas. Um projeto de pesquisa é uma caixa de surpresa. O pesquisador tem, em teoria, o que pode ocorrer numa determinada experiência. Mas, uma coisa é você fazer experimento num laboratório e outro no campo, na prática, sem o ar condicionado do laboratório, sem vento, sem o sol a pino, etc. É natural que seja assim porque se o resultado já fosse previamente sabido, não precisava a pesquisa. Em sã consciência, nenhuma empresa privada colocaria dinheiro numa pesquisa inócua. A empresa pública é mais possível porque gestores públicos, principalmente ocupantes de cargos eletivos, estão pouco se lixando para retorno econômico de projetos.

A terceira questão é o pseudocientista não publica artigos científicos em congressos, simpósios ou seminários. De modo igual, trabalhos submetidos a esse tipo de evento também passam pelo crivo de uma comissão científica e resultados questionáveis não são aceitos. Agora, existem fatos que mancham a ciência e que nos mostra o quanto ela está subordinada ao poder econômico. Então, essa conversa de que a ciência mostra resultados doa a quem doer, não passa de uma balela. Nenhum pesquisador é burro suficiente para denotar um financiamento de pesquisas. São inúmeros os casos nos quais um remédio vai para o mercado, chancelado por uma pesquisa, mas sua aprovação foi feita à base de manipulação de dados e de resultados.

Existem casos vergonhosos na academia. Um deles chama-se Alexandre de Morais. Esse cara fez um doutorado na USP. Passou quatro anos obtendo créditos, qualificou um projeto de pesquisa avaliado por uma banca, fez a defesa de uma tese perante uma banca composta por cinco membros e sua tese era que “os indicados para o STF não deveriam ter ocupados cargos no governo”. Todos sabem que Alexandre de Morais saiu do ministério da justiça para o STF. Ou seja, um total desrespeito ao que defendeu. Essa tese deveria ser jogada no lixo e o título dele cassado pela CAPES.

A ciência deixou muito a desejar durante essa pandemia. Nunca ninguém apresentou qualquer argumento para o caso da África que apresentou menos mortes do que as demais regiões do mundo. Muita gente apregoou que a reduzida taxa de óbito era fruto da ivermectina aplicada desde 1997 na população, mas ninguém, nenhum cientista se debruçou para avaliar isso. O motivo é simples: grana para pesquisa. Quem é maluco de analisar uma possível solução? Vai que a causa de poucos óbitos era o remédio mesmo….

Criou-se, no Brasil, essa postura dos “afirmadores” contra os “negadores”. Os primeiros são os donos da verdade, os inteligentes e os outros são a escória que atrapalha. A gente olha o papel da imprensa e fica chocado. Repórter que foi censurado, defendendo banimento de pessoas das redes sociais. Ontem a revista carta capital (minúsculo mesmo) publicou um comentário de Guedes dizendo não acreditar nas pesquisas. A revista dizia que “Guedes reconhece o que o Brasil está num atoleiro durante sua gestão”. Mino Carta vivia aonde entre 2010 e 2018?

Eu tenho dito com muita frequência, não como defesa de Bolsonaro, que não acredito nossos resultados das pesquisas apresentadas por razões simples, sendo uma delas matemática. Bolsonaro teve 57 milhões de votos de pessoas que não votariam, de modo algum, em candidatos de esquerda. Essa votação equivale a 54% de modo que tivemos 105 milhões de votos válidos. Dizer que ele tem 22% dos votos, significa dizer eu ele teria 23 milhões de votos e, portanto, 34 milhões de pessoas antipetistas não votariam nele para votar em Lula. Se você quiser acreditar nisso, tudo bem.

Mas, durante a pandemia eu vi muitos pesquisadores, renomados, ter o áudio cortado, a entrevista interrompida, etc. porque discordou do entrevistador. Essa semana eu vi um vídeo de Vera Magalhães induzido que o entrevistado para ele criticar Bolsonaro e o que ouviu foi que a pandemia ter causado mortes no Brasil independente de que fosse presidente. De repente cada repórter passou a ser cientista laureado com o prêmio Nobel.

8 pensou em “CIÊNCIA E PSEUDOCIÊNCIA

  1. Maurício ,
    A pandemia também serviu para revelar ainda mais que ,em qualquer pesquisa , as conclusões não são definitivas e podem ser questionadas em busca do maior conhecimento possível . Infelizmente também descobrimos que o poder econômico e político (pseudo cientistas) determinam quem “ pode e quem não pode “ questionar as pesquisas .

  2. Falando em ciência, está definitivamente comprovada a “tese” de Nelson Rodrigues.
    Os idiotas já dominam o mundo. Não pela qualidade, mas pela quantidade. Nunca se viu tantos por aí. Para disfarçar, ganharam o título de “especialistas”.

  3. Maurício, o termo pseudo-ciência normalmente é usado para coisas que não são ciência mas são apresentadas como se fossem. Exemplos clássicos: astrologia, ufologia, homeopatia e todo tipo de “medicina alternativa”, além de qualquer coisa que dê para colocar a palavra “quântica”.

    Algumas dessas pseudo-ciências saem de dentro das universidades. Eu li certa vez uma tese de doutorado que foi citada como argumento em defesa da homeopatia. Nunca senti tanta vergonha alheia na minha vida, e fiquei chocado em ver um negócio daqueles sendo aceito em um doutorado. Eu não teria coragem de entregar aquilo como “lição de casa” quando estava no segundo grau.

    • Pois é, mas a conotação do que foi dito é puramente política. Os segmentos citados não possuem comprovação, nunca se tratou de ciência. O que tenta se fazer é mostrar que os cientistas são aquelas contra o governo e os pseudos são os favoráveis. Como eu digo, nunca vi um astrólogo receber grana pra um projeto de pesquisa. No caso da homeopatia, eu conheço projetos – que administrei – de fitoterápicos. A espinheira santa, por exemplo, tem efeitos comprovados. Eu tomo por ordem médica.

  4. Marcelo, eu não conheço esses trabalhos. Li os resumos. Então, o livro de Berto, o Romance da Besta Fubana, foi dissertação de um mestrado. As áreas aqui são de humanas, então a abordagem pode ser pelo lado da antropologia. Mas, eu não tenho conhecimento se há alguma faculdade que ensine astrologia. Não sei se tem reconhecimento por parte do MEC. Isso está muito ligado a esoterismo. Pra mim é como optometrista…o cara faz um curso técnico e vai pra o mercado..

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