CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

A foto sempre me traz uma inolvidável recordação: a primeira vez que peguei no volante de um veículo e acelerei pisando no único pedal. Nesse tempo já era um carro-elétrico.

Estávamos em 1944, eu contava oito anos e fui levado por meu tio Sebastião para a Festa da Santa Cruz, onde entre o carrossel, a montanha-russa e outros brinquedos, havia o auto-pista.

Eram carros sem capota, fabricados para a brincadeira do chamado “bate-bate”. Quando a sessão começava, o operador ligava a eletricidade das “bananas” – que eram os condutores de energia – e a “danação” começava.

Meu tio sentou-se em posição de alcançar o pedal do acelerador e eu fiquei espremido ao lado, só para pegar no volante. Era cada sopapo infernal. E eu lá meio espremido.

Na segunda rodada, solicitei que ele me deixasse sozinho para sentir a emoção de dirigir de fato. Para chegar com o pé até o pedal eu quase entrei debaixo do painel e fiquei em incômoda situação. Mas suportei até o fim da rodada, naquela posição bastante desconfortável.

Ao sair fui indagado se avia gostado e respondi que se dirigir automóvel fosse assim eu iria demorar muitos anos para pegar num volante novamente. Mas, é lógico que num carro “de verdade” eu já teria atingido meus 18 anos e assim, com um porte de homem, poderia pisar com facilidade nos três pedais.

Na segunda vez que experimentei o volante foi num carro de verdade, um De Soto que pertencia ao Vereador Antônio Batista de Souza e o motorista dele era amigo de meu pai.

Na Rua Nicolau Pereira, perto do Largo da Paz, onde não havia chegado a pavimentação, ele me entregou a direção, mas ficou operando os pedais. Senti o carro macio, bem diferente das rodas do autopista que eram de ferro. Rodei somente uns dois km.

Quando meu tio Moacir comprou um Opel, completou meu ensinamento e me deixou guiá-lo algumas vezes, sempre com ele ao lado.

Depois disso, só peguei no carro que arranjei para fazer o teste do DETRAN, que nesse novo tempo funcionava na área que hoje separa as duas pontes do Pina, na Cabanga, onde fui aprovado como motorista amador, em 1962, tempo em que comecei a pensar em comprar um carro, sendo o primeiro, um “Renault 4-CV”, conhecido como “Rabo-quente”, por ter o motor na parte traseira.

A partir daí fui adquirindo carros sempre mais novos e aperfeiçoando minha forma de dirigir, sem jamais me esquecer do “auto-pista” que provei no Parque de Diversões da Praça da Santa Cruz.

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