PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

Era preto, tão preto como preto
Foi seu destino de findar ao léu…
E, sendo preto assim o meu chapéu,
Faço-lhe preto todo este soneto.

Preto um quarteto – como outro quarteto,
E como o preto deste preto véu
De mistério que oculta o meu chapéu
Preto farei, também o seu terceto.

Preto e mais preto do que o próprio preto!
Preto e tão preto quanto este soneto
Ou como o preto de um brumoso céu…

Com o meu preto chapéu me comprometo
a nunca mais usar um chapéu preto
Preto, tão preto como o meu chapéu.

Raimundo Yasbeck Asfora, Fortaleza-CE, (1930-1987)

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