Eu já disse várias vezes, principalmente aqui nesta gazeta, que a corrupção nunca foi o objetivo central de Lula e do PT nesses quase dezoito anos de governo. Alguns podem até discordar desta minha visão, porém, reitero e, de novo, reitero: a corrupção nunca foi o objetivo final de Lula e do PT enquanto estiveram e estão no poder. O plano é mais obscuro, é mais profundo. A corrupção, as bandalheiras, os roubos, as negociatas envolvendo cargos de poder são apenas consequências e reflexos desse plano.
Nesta semana, Pindorama está basbaque com as revelações sobre tráfico de influência, corrupção passiva, advocacia administrativa, compra de autoridades por milhões de dinheiros captados por fraude bancária, por roubo, na cara dura, de fundos de pensões, entre outras roubalheiras que ainda não conhecemos. Mas também, encerra uma lição para banqueiros, empresários, gestores de fundos financeiros, industriais, e todos aqueles que movimentam o mundo financeiro pindoramense, e vamos voltar a essa lição no final deste texto.
As revelações do expediente extra público de Alexandre de Morais, na semana passada, o modo de operação com que integrantes do supremo tribunal federal – assim mesmo, em minúsculo, para homenagear o caráter de lata de lixo da atual composição da corte -, a cara de paisagem do presidente do senado federal, o silêncio sepulcral do executivo, a posição canhestra das ditas “entidades da sociedade civil organizada”, esse conceito arcano e hermenêutico das categorias hegeliana de sociedade, em uma atitude que lembra a Omertà da máfia siciliana – OAB, ABI, Sindicatos, Conselhos Profissionais, até mesmo associação de moradores de bairro – revelam como o plano profundo de Lula e do PT está se concretizando.
A síntese é simples: Lula e o PT nunca focaram na corrupção. O plano era e, ainda é mais profundo, baixar a régua moral da sociedade, pois isso facilita a dominação da estrutura estatal e a perpetuação no poder, descartando a democracia como um estorvo. A moralidade, esse ente absoluto que indica o certo e o errado, o legal, do ilegal, do moral, ao imoral, da aceitação passiva, à resistência e denúncia pública foi sendo anestesiada ao longo desses dezoito anos, sempre um passo adiante. A cada denúncia, a cada descoberta de safadeza, a inação daqueles que deveriam ser responsáveis por investigar e punir quem se desviasse do certo e do legal, rebaixaram, um pouco, de cada vez, essa régua moral nacional, a ponto de não nos escandalizarmos dos roubos bilionários em empresas estatais, em roubos de velhinhos aposentados, em déficits e mais déficits dessas excrescências chamadas empresas estatais.
Só que esses caras se precipitaram. Eles agiram cedo demais na testagem da régua moral que, para eles já devia estar próxima do zero absoluto, totalmente parada e congelada, sem nenhuma manifestação de movimento. O erro palmar, que envolve os três poderes republicanos foi a ação precipitada e afobada, imaginando que a sociedade já estivesse como o sujeito que se apronta para ir ao um casamento e entra em uma missa de sétimo dia, sem se dar conta do engano, ou como o sujeito que sentindo calor, sai de casa para tomar um sorvete e acaba tomando um café recém coado.
Era apenas questão de tempo para a régua moral de Pindorama chegar ao zero absoluto. Mais um ano de governo luloso e tudo estaria preparado para empalmar o poder, declarar o país uma nova Nicarágua, sem eleições, tudo para o bem da democracia. Mas faltava “combinar com os russos”. Faltou essa estratégia de longo prazo, talvez pelo fato do “Nine” já estar no fim da vida, da ansiedade de seus cúmplices em testar o plano e constatar que ele deu certo. Infelizmente, por enquanto, e, para o bem da nação, deram com os burros n’água.
Não estou dizendo que eles não conseguirão. Podem até conseguir no médio prazo, mas vai ficar mais difícil a partir de agora, apesar da falta de perspectiva do pindoramense, de sua proverbial preguiça caeté, de sua inabilidade intelectual, de sua formação educacional precária, de seu QI que está abaixo de um bonobo, e de sua fixação em festas, em bagunça, em divertimento, enquanto a lona do circo pega fogo, com todo mundo dentro.
Os perpetradores desse plano, na sua ânsia de testar o plano, não calcularam os custos a que se submeteriam, e a revolta de alguns bastiões de moralidade, apesar do silêncio indecente e criminosa da dita “sociedade civil organizada”. É um teste assustador para toda a população ver suas instituições comandadas por bandidos que deveriam estar presos. É aterrador ver que, aqueles que deveriam estar a serviço da sociedade, simplesmente dão uma “banana” para o cidadão, vão cometer seus crimes, nem que para isso tenham que destruir as instituições republicanas – Ah… República….esse golpe que esculhambou este país e só gerou vergonha e desastre institucional -, o povo que se dane, só serve para trabalhar, pagar seus impostos em dia e, no máximo gritar gol.
E, a lição que fica para banqueiros, financistas, empresários, industriais é uma só: alimentar político, ministros de cortes supremas, mandatários e autoridades que decidem os destinos da nação com dinheiro sujo é o mesmo que alimentar abutres com as mãos: uma hora, ou outra, eles vão devorar seus dedos.