PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

Altiva e couraçada de desdém,
Vivo sozinha em meu castelo: a Dor!
Passa por ele a luz de todo o amor …
E nunca em meu castelo entrou alguém!

Castelã da Tristeza, vês? … A quem? …
– E o meu olhar é interrogador –
Perscruto, ao longe, as sombras do sol-pôr …
Chora o silêncio … nada … ninguém vem …

Castelã da Tristeza, porque choras
Lendo, toda de branco, um livro de horas,
À sombra rendilhada dos vitrais? …

À noite, debruçada, plas ameias,
Porque rezas baixinho? … Porque anseias? …
Que sonho afagam tuas mãos reais? …

Florbela Espanca, Vila Viçosa, Portugal (1894-1930)

Um comentário em “CASTELÃ DA TRISTEZA – Florbela Espanca

  1. Florbela questiona a castelã do silêncio, da Tristeza (com T maiúsculo), da Dor.

    Conversa com seu íntimo de forma magistral.

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