FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS

Reverenciando a eternização do arcebispo Desmond Tutu, ontem chamado pelo Pai, recebi carta de Raimundo de Oliveira, um leitor muito atento. Sem delongas, reparto-a com os amigos, caminheiros queridos:

“Caro amigo nordestino, assim como Martin Luther King, eu também tive um sonho… Sonhei que o presidente Binden, diante da pandemia mundial que anda afetando gregos e troianos, convocava uma coletiva e dizia mais ou menos o seguinte:

‘Vivemos um momento da maior gravidade. Nosso País foi atingido brutalmente. São milhares de mortos e milhões de contaminados. Nossa Pátria, estarrecida, aguarda uma resposta pra valer. Pensei muito! Como responder à brutalidade do ato, em que um virus vem causando a morte de milhões, destruindo bens e esperanças? Como entender o que houve? De onde vem a raiz de tal virose? É com enorme dificuldade que anuncio que não é à toa que tal pandemia se acumulou contra nosso planeta. O mundo ficou pequeno pelas telecomunicações. Os fatos ficaram acessíveis a todos, num piscar de olhos. Os avanços tecnológicos estão garantindo ao ser humano uma capacidade de realização impensável há alguns anos. Entretanto, todo esse avanço não tem servido para acabar com a miséria, a fome e as doenças. Vamos à Lua, construímos um novo telescópio e aumenta a população sem casa para morar. Produzimos computadores cada vez mais rápidos e cresce o número absoluto de analfabetos no mundo. Desenvolvemos a engenharia genética, desvendamos o genoma humano e, aos milhões, morre-se por falta de saneamento. Num mundo de muita desesperança, apresentamos uma insultante opulência, vivendo na sociedade do desperdício: cada americano produz 3kg de lixo por dia; temos 200 milhões de carros com ar-condicionado bebendo gasolina e poluindo a atmosfera; consumimos mais de 25% do petróleo produzido em todo o mundo; não assinamos tratados de correções, para proteger mais nossas indústrias poluidoras, que ameaçam a sobrevivência do ser humano, como espécie; cada americano gasta 1.600 litros de água por dia, enquanto o europeu gasta 200 e o habitante de Madagascar somente 5 litros por dia; somos causadores direto de ¼ de todo efeito estufa, que ameaça a vida em nosso planeta; o nosso consumo médio energético corresponde ao de 4 suíços, 6 italianos, 260 tanzanianos ou 1.800 ruandenses; e, apesar de nossa competência tecnológica, não temos tido respeito pelo planeta, sendo um país de baixa eficiência energética. Fomos nós que criamos Saddam Hussein e treinamos os Talibãs. É nossa a responsabilidade por ditaduras sanguinárias como as do Pinochet, Trujilo, Somoza, Mobutu e tantos outros. Mais de 600.000 crianças morreram no Iraque pelo cerco comandado por nós e o criminoso bloqueio à Ilha de Cuba já dura décadas. É a nossa política, com nossos aliados, que tem feito crescer o ódio entre judeus e palestinos. São primos e somente a convivência pacífica e respeitosa entre eles trará paz à região. A crise dos últimos dias me fez abrir os olhos. O terrorismo não é aceitável! Nem o terror individual, nem o terror de Estado que temos praticado sistematicamente. É mais que hora de mudar! Estou, neste momento, convocando todos os dirigentes das grandes nações, responsáveis, como nós, pela sucessão de erros apontados, para uma reunião semana que vem, quando iremos detalhar as medidas capazes de reverter a situação de injustiça deste nosso mundo. Convoco as nações mais ricas para assumirem conosco as dívidas do Terceiro Mundo, entendendo que devemos, historicamente, muito mais a eles que eles a nós’.

De todos os lados ecoaram prolongados aplausos. Que me fizeram acordar. E me lembrar do querido dom Hélder Câmara, nunca esquecido arcebispo metropolitano de Olinda e Recife. Peço a Deus que nós, brasileiros, nunca sepultemos o ideário do Dom, por um mundo sem fome.”

Obrigadíssimo, Raimundo. Continuemos helderistas, jamais simplesmente helderetes. Um 2022 pleno de militância consciente, com eleições democráticas que removam os incultos, negativistas e sectários da vida política de todas as nações.

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