PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

Ninguém soletra mais vossos mistérios
Grandes letras da noute! sem cessar…
Ó tecidos de luz! rios etéreos,
Olhos azuis que amoleceis o mar!…

O que fazeis dispersas pelo ar?!…
E ha que tempos ha já, fogos sidéreos,
Que ides assim como uns brandões funéreos
Que levais o Deus Padre a sepultar?!

Há que tempos, dizei! – Há muitos anos?…
E, com tudo, astros santos, desumanos,
A vossa luz é sempre clara e igual!

Há muito, que sois bons, castos, brilhantes!…
– Mas, também… ó cruéis! sempre distantes…
Como dos nossos braços o Ideal!

António Duarte Gomes Leal, Lisboa, Portugal (1848-1921)

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