PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

Rodam, tardas, gemendo, as rodas, arrastando
os pesados pranchões de pau-d’arco. Angustiado
ora altivo e roufenho, ora moroso e brando,
todo carro de bois é um soluço abafado…

A hora viúva e glacial do crepúsculo quando
o sol desce, o seu canto é tão doce e magoado
que ora nos prende à terra, ora nos vai levando
na asa de oiro de sonho a um longínquo passado.

Choram, tristes, à frente, os bois mortos de sono…
Há uma vaga tristeza, uma ansiedade em tudo
e a paisagem dir-se-ia um por-de-sol, no outono…

Oh! Natureza – Mãe! Sei quanto sofres, pois
vejo, ansioso, rolar todo o teu pranto mudo
pelos bons olhos melancólicos dos bois.

Otacilio Ferreira de Azevedo, Redenção-CE (1892-1978)

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