Marília Gabriela “Cara a Cara” com Jô Soares (07/06/1988)
Entrevistar não é coisa fácil. Por isso, admiro os profissionais que sabem fazê-lo com graça e boa qualidade.
Marília Gabriela, na TV, tornou-se campeã de audiência durante entrevistas, por saber mergulhar na intimidade de cada personagem, sem cair nas indiscrições ou mesmices.
Outro dia, na TV, revi Jô Soares, no “Cara a Cara com Gabi”, na Bandeirantes. Foram momentos para registro na História do Teatro, do Rádio e da TV, mostrando a atividade profissional do artista.
Daquela entrevista selecionei partes para embasar esta crônica, sobressaindo-se algumas respostas dele.
Jô Soares
O humorista tem que ser múltiplo. Deve escrever, representar, saber contar piadas; e ao mesmo tempo, quando no palco ou fora dele, também causar risos.
Todo gordo já é engraçado; e se for gordo nem precisa ser humorista. Fiz do meu tipo físico u’a marca emblemática, inclusive para dar títulos aos meus espetáculos.
Gosto de me apresentar no Teatro porque a resposta do trabalho é imediata: a satisfação pelos aplausos. No teatro, escrevi e apresentei: “O Gordo ao vivo”, espetáculo que no Rio e São Paulo, ficou em cartaz durante um ano.
Considero-me um “produtor artístico”, além de humorista e escritor. E aproveitando, devo dizer que conheci o Boni na cama! Ele estava doente.
Sobre minha “quilografia”, atesto que já cheguei a pesar 160 quilos. Fiz dieta e fiquei com 80.
Finalizando devo dizer que, quanto mais famoso for o personagem, mais difícil fica de se entrevistar.
Jô Soares foi um artista completo e um dos maiores ícones da televisão brasileira. Atuou como humorista, entrevistador, escritor, diretor e ator por mais de 60 anos. Consagrou-se no humor com personagens marcantes e revolucionou as madrugadas com os programas de entrevistas que apresentou, primeiro no SBT e depois na Globo, além de escrever best-sellers, dentre eles, “O Xangô de Baker Street”.
Entre as décadas de 1960 e 2000 – o auge da fama – criou e representou vários personagens de grande sucesso, nos programas televisivos Jô Show, Família Trapo, Satiricom, Planeta dos Homens e Viva o Gordo, além dos programas de entrevistas já mencionados: Jô Soares Onze e Meia e o Programa do Jô, nos quais apresentou dezenas e dezenas de convidados, dentre personagens ou celebridades, nacionais e internacionais.
Precisando realizar um programa do seu jeito, sem interferências e em época de muitos programas de humor na Globo, depois de 17 anos naquela equipe transferiu-se para apresentar um espetáculo de humorismo e entrevistas no SBT, tornando-se o precursor da modalidade conhecida como talk-show, no Brasil.
E em abril de 2000 retornou, após um “acordão” entre Sílvio Santos e Roberto Marinho, depois de 12 anos no SBT, para apresentar o “Jô Soares Onze e Meia, que ficou no ar até dezembro de 2016.
Jô soube introduzir nos programas de entrevistas, boas doses do seu incomparável humor, além de dar sua contribuição para a História do Rádio, do Teatro e da Televisão brasileira.
O que lamento é nunca haver estado com Jô Soares, para uma prosa tipo “Cara a Cara”.

