MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

Semana passada falei aqui da rotina que se tornou o Brasil pela constância de se ver os mesmos assuntos na mídia ou em qualquer lugar. A corrupção é o cerne dos problemas, mas talvez não seja o núcleo. O Brasil não difere muito de paciente com metástase provocando por esse tumor chamado corrupção. A sucessão de escândalos é algo fora do normal.

Essa semana, por exemplo, a polícia federal encontrou R$ 3,2 milhões na casa de um prefeito (ou ex-prefeito) e de acordo com aquilo que foi divulgado, tratava-se de recursos de uma emenda parlamentar. Veja bem: estamos falando de R$ 3,2 milhões em dinheiro vivo. Aí vem uma coisa que eu não consigo entender: onde este dinheiro foi sacado?

É inconcebível que em tempos de alta tecnologia, o setor público ainda se valha do uso da antiga “caderneta”. Se todas as transferências acima de R$ 1 mil devem ser informadas ao COAF, por que ainda se tem dinheiro vivo transitando por aí? Considere que o dinheiro sai da conta única do tesouro, que é vinculada ao Banco do Brasil e para sacar ou ser transferido necessita de um processo, de um procedimento e de várias autorizações.

Dinheiro na cueca, dinheiro na bunda, dinheiro em caixa de sapatos (como o caso do secretário de saúde do Pará na época da pandemia), dinheiro dentro de gavetas (como esse caso dos R$ 3,2 milhões), menos dinheiro onde, realmente, deveria estar: fazendo política pública para melhorar o bem-estar da população. O estado brasileiro é um caos generalizado. Questões prioritárias como educação, saúde e segurança são instrumentos naturais da sanha dos corruptos.

A coisa mais abjeta em tudo isso é leniência das instâncias judiciais. O plano de aparelhar as instituições para defender interesses partidários é bastante antigo. Zé Dirceu uma determinada ocasião disse isso. Aécio Neves falou de como deveria ser o modus operandi para investigar políticos: coloca um delegado que seja simpático ao investigado e pronto. O cara vai lá, investiga e arquiva. Depois ele foi gravado naquela tramoia dos irmãos Batistas. Não custa lembrar que ele foi afastado do senado por Marco Aurélio, mas os deputados entenderam que esse tipo de decisão não cabe ao STF, mas à câmara. Não valeu no caso de Deltan Dallangnol.

Não vamos conseguir mudar o país e não estamos fazendo esforço para isso. No máximo a gente protesta, externa, esculhamba, publica textos nas redes sociais, mas não tratamos da causa. Eu sempre pergunto: por que os deputados corruptos são eleitos? A única explicação é através da compra de votos e nesse ponto me revolta o comportamento do eleitor. É muita burrice não enxergar que uns R$ 300,00 por um voto não muda a vida dele, mas qual o esclarecimento que está sendo dado a este tipo de eleitor?

A gente vive um paradoxo formidável. O presidente eleito não anda nas ruas sem ser chamado de ladrão. A bem da verdade, ele não anda nas ruas de jeito nenhum. Prefere a plateia catequizada, a velha claque paga para aplaudir. Não há políticas públicas inovadoras, apenas aquelas destinadas a manter a pobreza, continuadamente, pobre.

Hoje, o governo não tem respaldo para continuar a não ser o ombro amigo da justiça. Vejam a questão do IOF. Uma medida que iria prejudicar a economia brasileira, tornar o crédito mais caro, afetar mercados imobiliário e agropecuário com a taxa das LCI/LCA, além de comprometer rentabilidade do VGBL com um imposto de 5%. Derrotado no congresso, o governo pretende recorrer ao STF. Onde uma decisão do congresso sobre política fiscal é matéria constitucional?

A gente fica indignado com isso, mas quando a gente olhar para o STF e se lembra que o advogado do presidente foi transformado ministro, então… por favor, alguém me dia se vale a pena insistir?

2 pensou em “CAOS GENERALIZADO

  1. Caro Assuero, seu texto é uma ultrassonografia da triste realidade desse país que tem tudo para ser mais justo com seus cidadãos, mas infelizmente o sistema podre não deixa acontecer. Investigação passou a ser seletiva, dependendo da figura, arrumam qualquer coisa do outro lado, faz uma cortina de fumaça, e o tempo o faz prescrever, amigo ajuda amigo, um pode ser o outro amanhã, fico triste em ver que meus netos, o futuro só Deus para fazer algo acontecer, pois infelizmente temos muitos analfabetos políticos.

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