MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

Internamente, é sabido, o PT tem feito avaliações da candidatura de Lula tanto quanto de eventuais substitutos. Nomes com Haddad, Camilo Santana e Alckmin são ventilados como, eventuais, substitutos. Recentemente o presidente declarou que não havia se decidido em relação a candidatura e o motivo, muito mais do que uma mera dúvida, está associado a pouco empolgação do partido no engajamento do seu nome. Em outras palavras: aqueles discursos acirrados de algumas figuras petistas, ao que parece, são meros balões de ensaio.

As avaliações internas dão conta de que uma série de fatores são determinantes para Lula passar o bastão. A fila de motivo é enorme e, mais uma vez, passa pelo escândalo do INSS, pelo rombo nas contas públicas, com ênfase para a situação calamitosa dos Correios e, principalmente, pelo alto índice de rejeição de Lula que atinge, quase 45% do eleitorado. considerando que o PT, sozinho, tem perto de 33% dos votos, fica claro que faltará votos.

O nome de Alckmin dificilmente seria aceito no PT. Foi uma tremenda guerra para aceitá-lo como vice, imagine com cabeça de chapa. O PT nunca abriu mão de ser cabeça de chapa, como se diz. Alckmin não tem sangue petista nas veias. Mudou radicalmente seu discurso contra a corrupção do PT para apoiar Lula, mas sempre foi visto com reservas. Lula não transmite o cargo para ele, exceto quando se ausenta do país, mas já despachou do Sírio Libanês apenas para não passar o cargo.

Alckmin sempre disse que Lula queria voltar a cena do crime, depois de ter quebrado o Brasil. Nunca soube, pelo nunca declarou, de onde veio o dinheiro usado para forjar um dossiê contra ele. Simplesmente, botou o boné do MST na cabeça e saiu de braços dados com Lula. Quando foi candidato, seu desempenho no Nordeste foi pífio. Ele pode ter alguma expressividade em São Paulo e só.

Camilo Santana não merece comentário. Um político medíocre que se elegeu senador pela burrice de alguns eleitores cearenses. Ouçam o discurso de Ciro Gomes e vocês verão que Camilo Santana não teria chances reais de ser eleito. Resta, Haddad que está empenhado em dizer que os “indicadores” de São Paulo são desastrosos. Quando perguntado quais indicadores ele se refere, o homem não consegue dizer um sequer. O governo de São Paulo tem sido exemplo para o resto do Brasil.

Não custa lembrar que em 2018 fizeram uma mistura da cara de Lula com a cara de Haddad, dizendo que “Lula é Haddad e Haddad é Lula”, mas a estratégia não deu certo e o PT foi derrotado. Em 2022, Gilmar Mendes chegou a declarar publicamente que a eleição de Lula foi obra do STF, seja lá o que isso quer dizer. O fato é que não há sucessores no PT.

Uma das questões mais vistas em partidos de esquerda é a centralização do poder nas mãos de um grupo. Em 1993 fizeram um plebiscito para definir a forma e o regime de governo. O PT, maciçamente defendeu presidencialismo porque Lula sonhava com a cadeira de presidente e não de primeiro-ministro num eventual regime parlamentarista.

Não há sucessores de Lula no PT. Ele manda e desmanda. Ele dá as cartas e define o jogo. Um caso emblemático foi na eleição para governo da Paraíba onde o PT ia lançar candidato próprio, mas Lula não permitiu e definiu que o partido ia apoiar Ricardo Coutinho. Esse mesmo Ricardo Coutinho que desviou R$ 134 milhões da saúde dos paraibanos. Quando o PT decidiu lançar candidato à presidência, Eduardo Suplicy sugeriu que houvesse convenção e que outras pessoas pudessem apresentar seus nomes. Ele próprio se colocou como opção. O resultado? Foi esmagado por Lula e pelos seus seguidores. Nunca foi recebido por Lula. Tomou um chá de cadeira de 4 a 5 horas para falar com Zé Dirceu.

Diante de tudo isso, não me parece algo extraordinário que Lula desista (intimamente, eu acho que ele vaidoso demais para isso). O que se diz é que ele próprio percebe que não consegue mais atrair multidões como ele fazia. Lula não consegue andar nas ruas sem ser chamado de ladrão. Ele só participa de eventos com pessoas ligadas ao partido, ou seja, só onde tiver apoiadores.

Todos lembram que, recentemente, a polícia federal mandou um morador de Presidente Prudente retirar uma faixa da sacada do seu apartamento porque nela estava escrito LADRÃO e Lula estava na cidade. A PF achou o termo ofensivo. Isso acaba sendo irrisório diante do fato da associação entre a palavra e o presidente.

Outros tantos exemplos se seguem por aí e talvez a melhor forma de atestar a capacidade eleitoral do presidente seria ele caminhar livremente pelas ruas. Sentindo o calor do povo. Isso vai ajudar bastante em sua decisão.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *