JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

Aeroporto da felicidade

Sustento a tese pessoal de que o mundo não mudou. Nada mudou. Todas as coisas permaneceram iguais e onde estão.

As pessoas, essas sim, mudaram.

Vestiram uma nova roupa. A roupa da vaidade e da falta de humildade. Tergiversaram e são felizes assim mesmo. Não se sabe por quanto tempo.

Os valores mudaram.

– Vamos brincar?!

– Brincar de que?

– Brincar de qualquer brincadeira. Brincar de ser feliz!

Esse poderia ter sido um dos muitos diálogos entre crianças, nos anos das décadas de 40, 50 e/ou 60.

Brincar de ser feliz, acreditem, é icônico.

E as crianças eram realmente felizes.

Nos dias atuais vivem infelizes, ameaçadas – inclusive nos próprios lares – pela realidade presente, por um futuro sombrio e sem perspectivas.

Ninguém gosta mais de, em companhia da raposa, observar o pôr-do-sol.

Os acendedores já não acendem mais os lampiões.

Ninguém se preocupa mais coma sua rosa – e ninguém mais se considera eternamente responsável pelo que cativa.

O mundo, reafirmo, continua o mesmo. Mas, infelizmente, as pessoas mudaram.

Aceitem um convite: vamos voltar a ser felizes. Vamos voltar a brincar. Brincar de ser feliz.

Os Titanics das nossas infâncias

Na infância sem piscina ou sem rios e açudes, os barquinhos de papel faziam cruzeiros incríveis numa bacia cheia d´água – e nunca afundavam nos levando junto ao lado da nossa felicidade. Felicidade de brincar.

Brincando de ser feliz.

Ninguém tem mais o direito pretensioso de ser feliz.

De brincar como quiser e fazendo os seus navios tatanics para dar a volta ao mundo de dentro da bacia em poucos minutos ou poucas horas.

Vamos!

As uvas amadureceram. O Acendedor voltou a acender os lampiões. A gente já pode voltar a ver o pôr-do-sol!

Vamos voltar a brincar. Brincar de ser feliz!

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