Sustento a tese pessoal de que o mundo não mudou. Nada mudou. Todas as coisas permaneceram iguais e onde estão.
As pessoas, essas sim, mudaram.
Vestiram uma nova roupa. A roupa da vaidade e da falta de humildade. Tergiversaram e são felizes assim mesmo. Não se sabe por quanto tempo.
Os valores mudaram.
– Vamos brincar?!
– Brincar de que?
– Brincar de qualquer brincadeira. Brincar de ser feliz!
Esse poderia ter sido um dos muitos diálogos entre crianças, nos anos das décadas de 40, 50 e/ou 60.
Brincar de ser feliz, acreditem, é icônico.
E as crianças eram realmente felizes.
Nos dias atuais vivem infelizes, ameaçadas – inclusive nos próprios lares – pela realidade presente, por um futuro sombrio e sem perspectivas.
Ninguém gosta mais de, em companhia da raposa, observar o pôr-do-sol.
Os acendedores já não acendem mais os lampiões.
Ninguém se preocupa mais coma sua rosa – e ninguém mais se considera eternamente responsável pelo que cativa.
O mundo, reafirmo, continua o mesmo. Mas, infelizmente, as pessoas mudaram.
Aceitem um convite: vamos voltar a ser felizes. Vamos voltar a brincar. Brincar de ser feliz.
Os Titanics das nossas infâncias
Na infância sem piscina ou sem rios e açudes, os barquinhos de papel faziam cruzeiros incríveis numa bacia cheia d´água – e nunca afundavam nos levando junto ao lado da nossa felicidade. Felicidade de brincar.
Brincando de ser feliz.
Ninguém tem mais o direito pretensioso de ser feliz.
De brincar como quiser e fazendo os seus navios tatanics para dar a volta ao mundo de dentro da bacia em poucos minutos ou poucas horas.
Vamos!
As uvas amadureceram. O Acendedor voltou a acender os lampiões. A gente já pode voltar a ver o pôr-do-sol!
Vamos voltar a brincar. Brincar de ser feliz!
