ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

Esta semana, deitado na minha rede de imbira, coçando a carcunda de meus cachorrinhos, fiquei bildando – aqui no glorioso Mato Grosso do Sul, bildar é o mesmo que bisbilhotar, abelhudar, escarafunchar, bispar -, as ditas propagandas da Breck Fraude – Macaquice caeté que se importou dos Zistados Zunidos e que, para estes velhos olhos, acostumados a ver apenas o coxão mole do Sardinha sendo assado, pensei de mim, para comigo mesmo: vai dar merda!

E está dando. Como todo bom caeté, quando surgiu essa história de Breck Fraude – alguns despeitados vão chamá-la de “Black Friday” – só para contrariar. Desde o primeiro movimento de macaquice eu criei o slogan: Breck Fraude…. tudo pela metade do dobro! E explico como cheguei a essa constatação, e como a taba nacional ainda se encanta com espelhinhos, colares de contas e todo tipo de quinquilharia que nos empurram.

Andando aqui, na gloriosa Campo Grande, fiquei bispando os mostruários das lojas, vitrines, tablóides e folhetos com preços dos joujous e balangandãs disponíveis. Eu não sou do tipo que jogo o jabaculê, o lajan, o cascalho, a bufunfa em qualquer badulaque, mas gosto de ficar pescoçoso vendo os demais caetés se digladiando por colar de contas. De fato, fico antechupando os dentes igual a urubu quando vê carniça rezada e encomendada.

E, nessas andanças eu vi a marotagem e a marmotagem dos nossos bucaneiros lojistas e comerciantes que demonstram que estamos a anos luz de vivermos em uma sociedade civilizada, capitalista. Aquele tipo de sociedade cujo lema maior é pacta suma servanda, isto é, cumpra-se os contratos. Volto a repetir: continuamos com o canitar nos catunis, o cocar na cabeça, pintados para a guerra, rodeados ao redor do fogo, moqueando o lombo do Sardinha.

Civilização, respeito aos contratos, seriedade e justeza nos preços? Isso é coisa de extraterrestre, vindo sei lá de onde, de qual parte da galáxia. Em Pindorama o primeiro lema é o dístico de Macunaíma: Ai, que preguiça! O segundo é o que há de pior do mercantilismo bucaneiro: que o comprador se acautele!

Como estava dizendo, nas andanças e pajelanças na ocara campo-grandense fui reparando como os preços de produtos cobiçados pela patuléia, de repente passou a ter um comportamento estranho. Vi celulares novos que custavam X na semana retrasada. De uma hora para outra passou a custar X + X, está sendo vendido por Y, cerca de 57% mais caro que o valor X original, mas com um dizer assim: Black Friday: desconto de 75% no valor do produto.

Calma lá, caeté! Como assim? Algo que custava, pelo menos para mim, já os olhos da cara, de repente passa a custar os olhos, as orelhas e o nariz, está sendo vendido pelos olhos e pelo nariz e diz que está com desconto? Como eu não acredito que o Anhangá está de férias, e muito menos se mete nos nossos assuntos mundanos, a única conclusão a que se chega é que há safadeza nesse assunto. E safadeza più grassa!

Nessa minha dança urubulística ao redor de carniça encomendada, a primeira vontade que tenho é de rir de tamanha pabulagem e gatunice que quem se dá ao trabalho de ser cafiola de lojista. A segunda é a vontade de descer o guatambu, a piúva, a ximbuva nas costas do caeté que se dá o desplante de fazer um carnê com 99 parcelas para pagar um produto que, se ele esperasse uma semana a mais e deixasse passar a breck fraude, iria comprar a preço de bananinha na feira, apesar da bananinha não estar tão barata assim.

O, Deus que me perdoe, consumidor caeté, desde a chegada de Cabral vem sendo passado para trás com essas miçangas e quinquilharias. No começo foram os portugas, depois uszamericanus, agora os Xing ling que vivem empurrando esses pechisbeques para a patuléia. A gente aceita com todos os dentes e faltas de dentes, como se fôssemos a nação mais esperta do mundo. Enquanto isso, enquanto dançamos esperando agarrar um pedaço do fígado do Sardinha, somos roubados, e agradecemos por sermos roubados na caruda.

Vendo como os cafifas de lojas se comportam fico a pensar se a coisa é inata, ou adquirida. Isso porque depois de 16 anos de senvergonhismo ladroístico, a tribo caeté parece que se acostumou a ser passada para trás e passar para trás os demais. Quando assim vejo acontecer, lembro-me: caeté não briga com caeté! Mas parece que só eu sigo essa máxima.

A ideia da Black Friday, surgida nos Zistados Zunidos é boa, pois permite ao lojista se livrar do estoque da primavera/verão para receber a coleção outono/inverno. Nosso Araribóia – na língua caeté é sábio velho – Magnovaldo, que mora lá na florida Flórida pode atestar com mais sustança isso que digo. Acontece que lá os descontos são levados a sério.

Na bananolândia, em caeté castiço, breck fraude, tudo pela metade do dobro, é apenas uma desculpa para que as pessoas enfiem a mão no nosso bolso, enquanto dançamos alegres ao redor de uma fogueira, esperando o chã de dentro do Sardinha ficar pronto e nos banquetearmos nesse festim irracional que teima em não sair de dentro de nós.

3 pensou em “BRECK FRAUDE

  1. Meu prezado conterrâneo caeté: quando ainda estava noviço por estas gloriosas terras gringas fui, um dia de “bréquefráidai”, fazer uma cera em um shopping center próximo do aeroporto, já que tinha que esperar por mais de três horas pelo meu voo. Estava em frente a uma loja Sears e o que me chamou a atenção foi uma montoeira de mulheres barulhentas e agitadas na frente da loja. Não entendia o que estava havendo. Quando deu 9:00 horas em ponto as portas se abriram e o que vi foi uma cena de desenho animado da Disney: um estouro da boiada. Vi mulheres agarrando carrinhos e os enchendo com montes de roupas, acessórios, bolsas, e outros badulaques. Aí elas iam até um canto e ficavam escolhendo as coisas que realmente lhe serviam. E, pasme, já havia outras esperando que elas se desfizessem de alguma coisa para então pegarem, elas próprias, o que restava, e o ciclo seguia. Foi aí que entendi o fenômeno da dita sexta-feira negra.
    O que acontece é que aqui as lojas são honestas quando dizem que dão um desconto, que é pelo menos de 50%. Se forem pegas na mentira (e de vez em quando isso acontece) a consequência é feia. A loja fica “queimada”, não pelo Governo, mas pela imprensa e pelos consumidores.
    No Brasil, quando presenciei a primeira dessas sextas-feiras, já ficou claro que isso é um tremendo engodo. Põem um nome inglês que pouca gente sabe do que se trata, mostram um número mentiroso e se dão bem, pois mato e gente besta neste mundo é o que não falta, conforme diz o eminentíssimo, reverendíssimo, esclarecidíssimo e santíssimo Papa Berto.
    Um grande abraço.

  2. E tem um camaradinha aqui que fica apregoando a tal relação preço/demanda , nos combustíveis , na alimentação , vestuário .
    O povo sempre é culpado dos aumentos .
    Os safados exploradores não. Aproveitam que temos que comer ,vestir ,locomover etc.
    Bom , se não fizermos nada disto o preço cai. Sera?. Aqui ? . Ia até contar uma coisa que vi no interior da Bahia na época do Plano Sarney , mas deixa prá lá.
    E se também não fizermos nada disto que “promove ” os aumentos , como ficará os empregos onde se produz o que se comercializa.
    Como um bom petista , depois diz que o governo é isto ,aquilo , não faz nada que preste e blá, blá ,blá . E em quase tudo a breque fraude é o ano todo. A esmagadora maioria puxa a sardinha para o próprio prato. Os caetés podem ter comido o Bispo Pero Fernandes Sardinha , porem a rola deixaram para certos “comerciantes” enfiarem no c* do restante dos brasileiros.

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