XICO COM X, BIZERRA COM I

Nunca gostei de Brasília, desde quando ia muito lá, por obrigação, a trabalho ou em missão de treinamento. Detestava, e continuo a detestar, o fedor insuportável de esgoto que emana das ratoeiras do poder. Não fosse pelos parentes, amigos e colegas queridos moradores da cidade, melhor seria nunca ter ido. Verdade que se encontra na cidade a genialidade da dupla Niemeyer/Lucio Costa. Vê-se, ainda, passarinhos nas ruas largas, além do verde e da floração dos ipês enfeitando os parques. Seus prédios não arranham o céu e quase não se vê sinais de trânsito, por desnecessários que são. Tudo isso atenua minha antipatia pela cidade-avião. Mas falta a decência dos homens de paletó e gravata, a honestidade dos bons de alma, poucos. E isto é fundamental e necessário para um viver bem. Lá acontecem reuniões que, pela falta de decência e postura, causam inveja à mais reles mesa de botequim. Em meio à lama e ao lodo dos lagos costumam nascer flor de lótus. Poucas. Resta a esperança. Tomara que o povo do céu não esqueça de dar uma olhadinha para a ilha solitária de mil sotaques cantada por um Poeta do Ceará.

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5 pensou em “BRASILIA DE MIL SOTAQUES

  1. Caro Xico, vou falar da Brasília que conheci há uns 10 anos e foi o suficiente para chegar a algumas conclusões:

    A cidade reflete a ideologia dos comunistas de grife Oscar Niemeyer e Lúcio Costa.

    A cidade é plana e com grandes extensões porém não se vê bicicletas nas ruas em dias normais.

    Muito trânsito e congestionamento no grande eixo a qualquer hora do dia (a cidade foi feita para carros).

    A cidade não tem calçadas ou esquinas e não tem gente nas ruas.

    Uma parte da cidade é para privilegiados do serviço público, como as asas e o entorno do lago, porém tem as cidades satélites, onde o planejamento foi para o saco.

    Ao chegar não vi o que é normal em qualquer cidade, que são indústrias e comércio.

    Tem uma igreja que não parece igreja (normal para um comunista), prédios suntuosos e pouco práticos, palácio para o presidente e vice fora dos seus locais de trabalho (Oscar não iria copiar Washington ou Londres), mansões para ministros e chefes de poderes e um congresso longe do povo e perto dos lobistas.

    Um hotel vermelho´, o único perto do poder, que destoa da paisagem que dizem pertencer ao Lula.

    Tem muito mais coias, mas vamos parar por aí.

    Só uma conclusão: a cidade foi feita para abrigar políticos e funcionalismo parasitas, e nisso v. está certo.

  2. Meu caro Joao Francisco, por razões coincidentes e outras não combinamos com o nao-gostar de Brasília. Respeitando seus argumentos, com parte deles concordando, envio meu abraço fraterno.

  3. Meu caro Joao Francisco, por razões coincidentes e outras nem tanto combinamos com o nao-gostar de Brasília. Respeitando seus argumentos, com parte deles concordando, envio meu abraço fraterno.

  4. Beleza Xico,

    Brasília respira tramoia, negociata, hipocrisia, traição ao povo!

    Brasília é uma Cosa Nostra à brasileira.

    Não existe almoço de grátis entre os “políticos”, e tudo que é de ruim e péssimo para o povo brasileiro acontece nos porões desenhados pelos tracos geniais de Oscar Niemeyer e Lucio Costa, que não têm culpa no cartório.

    Obrigado, Poeta Xico, por mais essa indignação.

  5. Isso aí, Cícero. Acho que se pode até discordar ideologicamente de Niemeyer, mas de sua arte enquanto arquiteto, nunca. (O acho do início é em respeito a quem pensa diferente.)

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