DEU NO JORNAL

Paulo Briguet

“Vocês vivem num país em que o espírito foi proibido.” (Olavo de Carvalho)

Quando recebi a notícia de que a nova camisa número 2 da Seleção Brasileira deixaria de ser azul para tornar-se vermelha, achei que era apenas mais uma pegadinha, um meme caça-cliques de internet.

Depois, pensei que se tratava de uma dezinformatsiya (desinformação), dessas que a esquerda vive plantando para gerar lucros políticos ou simplesmente medir a temperatura do público. Por fim, veio a confirmação de que a proposta era real. 

Qualquer que seja o desenrolar do caso — se o escrete canarinho será doravante carmesim ou continuará ostentando unicamente as cores da bandeira — a simples cogitação da mudança no uniforme do time é uma afronta ao povo brasileiro. Mais uma!

O vermelho, como toda cor, possui um caráter simbólico, ou seja, é uma matriz de intelecções. Na liturgia católica, a cor rubra representa a Paixão de Nosso Senhor e o martírio dos primeiros cristãos; no título da obra-prima “O Vermelho e o Negro”, de Stendhal, faz referência aos uniformes militares; na bandeira de Londrina, minha amada cidade, homenageia a terra norte-paranaense; nas provas escolares, destaca as correções; nos mapas atuais do Brasil, indica os recordes de queimadas e desmatamento; e assim por diante.

Mas aqui, diante dos meus sete leitores, eu gostaria de recuperar outro significado da cor vermelha: aquele que víamos nos romances antigos, quando as personagens ficavam com o rosto rubro de vergonha diante de uma situação constrangedora. 

É esse tipo de associação com o vermelho que eu considero a mais adequada para representar o estado de espírito do nosso país agora. 

Não é o vermelho do comunismo, embora muitos comunistas estejam no poder. Não é o vermelho do sangue, embora a esquerda tenha como prioridade arrancar o sangue de seus adversários e deixar que os bandidos vampirizem a população. Não é o vermelho do sinal de trânsito, que indica a necessidade de uma parada. 

Estamos falando do vermelho do constrangimento, do vexame, da ignomínia, da desonra, do enxovalho, do descrédito, da palhaçada, do rebaixamento, da afronta, do horror, da desgraça. 

Para a elite de psicopatas que tiraniza o Brasil, nada mais coerente do que substituir as cores da bandeira pelo emblema vermelho da covardia e da mentira. 

Note-se que a camisa vermelha poderia substituir o uniforme azul, com o qual o Brasil ganhou sua primeira Copa do Mundo em 1958, na Suécia. Na ocasião, o dirigente Paulo Machado de Carvalho – conhecido como o Marechal da Vitória – disse que o uniforme azul era equivalente ao “manto de Nossa Senhora Aparecida”. É esse símbolo de fé que a CBF pretende tirar dos brasileiros.

Diante de tudo que vem acontecendo por aqui desde o golpe socialista de 2022, só me ocorre o bordão daquele personagem do Jô Soares:

– Fica vermelha, cara sem-vergonha!

Eis que o desfile da multidão infernal passa diante de nossos olhos fatigados… Vermelho regime PT-STF! Vermelho Inquérito do Fim do Mundo e seus filhotes! Vermelha censura! Vermelha Justiça assassinada! Vermelhos abortistas e bandidos e traficantes! Vermelho das contas públicas! Vermelhas viagens turísticas da Janja! Vermelhos bilhões desviados dos velhinhos da Previdência! Vermelhos 39 ministérios do Lula! Vermelha comitiva nos funerais do Papa! Vermelho Imperador Calvo invasor de UTI! Vermelho tribunal de exceção do golpe que nunca existiu! Manchas na parede da cela de Filipe Martins! Batom da Débora! Sangue do Clezão! Cor da dor, da mentira, da covardia, da crueldade, da morte!

Mas não é por acaso que se vestem de vermelho aqueles que gritam “Sem Anistia”. A mesma cor, paradoxalmente, representa o sentimento que eles procuram esconder a todo custo em seus corações endurecidos, sufocando aquele resquício de compaixão e amor ao próximo que existe mesmo na mais histérica alma militante. É esse peso vermelho na consciência que fez um deles dizer:

– Anistia é perdão e o 8 de janeiro é imperdoável.

Convém lembrar ao ministro, cuja cara nem ficou vermelha: serão perdoados os assassinos, os ladrões, os adúlteros, as prostitutas e os inimigos políticos — mas não será perdoado quem não perdoa.

2 pensou em “BRASIL, UM PAÍS VERMELHO DE VERGONHA

  1. Outro dia, num rala e rola, inventei de usar uma camisinha vermelha. O p.. não levantou e eu fiquei vermeio de vergonha.

  2. Lule testando seu novo brinquedo no Alvorada: caixa de som com Alexa.
    Lule: Alecha, mim traduiz o que este cabra inscreveu?
    Alexa: impossível, seu cérebro 286 RAM, não tem capacidade para processar, vai ver o que Janja tá fazendo ou vai tomar um rabo de galo (51 com Cinzano) e não me encha o
    saco!
    Depois da brincadeira, vamos ao comentário: Excelente e elucidativo texto, só comprova o que disse o grande Olavo de Carvalho:“O Paulo Briguet é o Rubem Braga da presente geração. Não percam nunca as crônicas dele.”

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