Guilherme Fiuza

Governo e imprensa celebram recorde no IDH, mas inflação, dívidas e perda de poder de compra revelam a realidade por trás dos números
O Brasil atingiu pela primeira vez o patamar de “muito alto desenvolvimento humano”, noticiou a imprensa. A propaganda bem embalada possivelmente é um componente do desenvolvimento humano nos dias de hoje.
Esse patamar sem precedentes alcançado pelo Brasil na escala do desenvolvimento humano foi divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Os componentes básicos dessa medição estão nas áreas de saúde, educação e renda, aferidos em âmbito municipal. O tom da notícia — conforme publicada pela maior parte da imprensa — é de que a vida no Brasil melhorou.
Ou, dito de outra forma: a vida no Brasil melhorou no governo Lula em ano de eleição.
Se algum recorte específico de qualidade de vida, com algum método específico de aferição e alguma forma específica de leitura e divulgação, gera um resultado aparentemente positivo, apresentar isso genericamente como um salto para o país fica um tanto exótico. Mas não chega a ser misterioso, considerando-se o papel que a ONU tem desempenhado na esfera do ativismo político.
O endividamento do poder público também cresce fortemente, alimentado por déficits fiscais em todos os anos da atual administração. Qual é a reação do governo atual a esse problema? Continuar gastando — como atestam as atas do Comitê de Política Monetária do Banco Central.
Os gastos públicos sob o governo petista são o principal combustível da inflação — que acaba de ter o pior mês de maio em dez anos e ficará fora da meta em 2026, segundo todas as previsões. Esse quadro impedirá uma redução consistente da taxa de juros no curto prazo — a não ser que haja injunção política sobre o BC, o que agravaria ainda mais a situação no médio prazo.
Com o poder de compra da população caindo e o endividamento aumentando, ao mesmo tempo em que o Estado perde capacidade de investir (e o investimento privado também decai), o desenvolvimento humano do país precisa de planilhas engenhosas para bater recorde positivo. E, naturalmente, nenhum economista especializado em políticas creditícias haverá de considerar derramamento de dinheiro sem lastro como apreciação de renda. O país recordista em desenvolvimento humano está amarrado a um contrato de empobrecimento.
Quem se importa? Essa estrutura contemporânea de propaganda política, que se espalhou pelo mundo, investe exatamente nisso: ações demagógicas que invariavelmente concentram renda nas castas burocráticas e endinheiradas sob o verniz da benevolência “progressista”. O único polo de enfrentamento real a esse truque é o atual governo dos EUA. Não à toa, Trump é vilão para essa imprensa que divulga humanismo de folhetim.
Estes números, como quaisquer outros, devem ser vistos em perspectiva:
Em primeiro lugar, a PNUD trabalha em parceria como IBGE, hoje transformado em um órgão político partidário. Ou seja, não dá pra levar a sério os dados do instituto.
Dito isso, é preciso lembrar que em 50% do período pesquisado – 2012 a 2024, o país esteve livre do PT. Talvez isso ajude a entender a possível evolução.
Além disso, os fatores pesquisados -renda, saúde e educação- são fortemente influenciados pelas administrações municipais e estaduais.
Daí, é nítida a diferença entre estados tradicionalmente administrados pela direita (sul e sudeste e centro-oeste) daqueles governados pela esquerda (norte e nordeste), com estes últimos com baixo desenvolvimento humano.
Cruzando estes dados do IDH com os do IPS e do Mapa da Violência, só podemos chegar a uma conclusão: a esquerda é uma praga da qual o país precisa se livrar urgentemente se quiser entrar no mundo de países minimamente desenvolvidos e civilizados.